quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Novo conforto

Sinceramente, descobri que posso ser mais curiosa do que o habitual e corajosa também, confesso. Neste ano mergulhei em profundas e inúmeras possibilidades de distanciamento de meu próprio conforto. Ou melhor, adquiri um certo "novo conforto" saindo da minha rotina tão admirada por mim mesma. Confuso eu diria, mas na prática admito que não foi tanto assim. Pelo menos não nos últimos meses... 
As mudanças dos últimos quatro meses foram mais inesperadas do que dos últimos três anos. Não segui regras, planos nem objetivos. Simplesmente aconteceram sem pretensões e assim mudaram para sempre o meu modo de viver. Tanto que mal tive tempo de refletir e absorver tais mudanças em palavras, pois em seguida já haviam mudado novamente o rumo delas, e isso demorou para me estabilizar e tentar entender o que de fato estava acontecendo com a minha vida.
Não, não estou exagerando. É apenas um fato. Um fato que me amadureceu em três meses o que em um ano não havia conseguido.
O mais engraçado de tudo isso, é que em dias aparentemente "normais", foram os dias em que todos os meus planos saíram dos trilhos. Principalmente no dia em que descobri que sou apaixonada por maçã e canela. Algo relativamente pessoal, mas que mudou meu paladar drasticamente desde então e assim tornei-me mais saudável e sensível novamente.
Meu coração finalmente está em paz, em uma paz tão plena que posso dormir ao seu lado e ao mesmo tempo posso me amar como realmente sou... sem pressão, sem julgamentos. Estou amando aos poucos o meu menino, nos seus pequenos passos dentro de mim. E o melhor de tudo: em um grande segredo. Sem precisar espalhar aos sete ventos o sabor desta conquista amorosa. Enfim. 
Acordei um dia pontual e desastrada e no final dele, estava contratada para o meu primeiro emprego. O primeiro trabalho profissional que me gerou bons e gigantes frutos, na qual pude atuar em diversas áreas em apenas uma. 
Dormi como estudante e acordei como estagiária, atriz duplicada, diretora de arte, cineasta, e de quebra pesquisadora com um pé no rascunho de minha tese de mestrado.
Um pulo um tanto quanto gigante para quem sonhava que tudo isso se realizaria em até três anos, simplesmente acontecer em apenas três a dois meses. 
Confesso que ainda estou assustada,muito! Mas é um susto muito bom. Um susto viciante.
Mal acabou o ano, mas quero confessar por meio de palavras a minha alegria em poder sustentar esse meu vício de mudanças nos próximos meses em 2015. Estou me mudando sem deixar endereços, lembranças ou registros. Estou me mudando para uma nova vida que ainda estou custando a escrever. Todos os dias estou escrevendo um pequeno pedaço de um futuro brilhante. 
Brilhante não profissionalmente, e sim, um futuro na qual me orgulharei de ter me modificado tanto, sem preconceitos, julgamentos ou estas palhaçadas todas na qual muitas pessoas insistem em se aprisionar.
Estou finalmente livre e independente. 
Estou conhecendo a felicidade em sua forma mais genuína. 
Confesso em dizer que estou amando poder viver desta minha felicidade e compartilhar com meus amados que estão comigo nesta caminhada.

Hoje fiquei com vontade de abrir meu coração. E fico feliz em poder relatar minhas próprias conquistas neste blog tão pessoal e intenso. 

Boa noite. 

 
  

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Jovens mortais

    O inesperado me engoliu diretamente pelo peito, parecendo que havia engolido também cacos de vidros atingindo meu próprio estômago. Sofria no silêncio da tristeza mórbida. 
    Uma alma nova que subia aos céus, livrava o caminho das dores e lágrimas. Suas lágrimas. Que agora secaram junto ao seu corpo novato.
    Me sentia responsável pela sua história deixada ao mundo, e seu sofrimento lacrado no peito. Mas feliz ao saber que sua vontade de viver era maior do que qualquer outra coisa do mundo. 
    Eu sentia sede de esperança, estava confusa com as imagens que via em minha frente. Solucei tanto a chegar ao ponto de me virar contra a parede e me acalmar sozinha. Me senti ridícula por demorar a me acalmar, por ter explodido daquela forma entre soluços e lágrimas, entre olhos extremamente fechados tentando conter o mínimo das lágrimas caídas. Eu sofria como há muito tempo não sofria. Uma dor diferente a ser explicada. 
    Lutei comigo mesma para me acalmar forçadamente, para não estragar o silêncio da dor alheia. Respeitei a dor.
    Sou frágil, tão frágil como a sutileza de uma pétala de rosa que despenca do pé da roseira. 
    Sinto com a dor do mundo, abraço como se fosse o meu próprio ser. Sofro mais pelos outros do que por mim mesma. Sofria por ver os outros chorando, e por ao mesmo tempo quase sentir de perto o vazio em que agora ficava em seus corações.
    A noite fechei os olhos e ouvia sua voz. Ouvia risadas de uma jovem que se fora para a outra extremidade da vida, de forma injusta e breve.
Sua imagem junto ao caixão, me calou por dois dias. Ainda estou calada, mas ninguém precisa perceber. Escrevo para conter minha vontade de gritar ao mundo. Meu apoio maior sempre será na escrita. Queria um abraço, um abraço tão forte que pudesse fantasiar o vazio que encontrei em mim mesma. 
    A realidade agora bate na minha porta, sai da transe e lembrei-me que somos mortais, tão mortais que não existe idade para ir. Não apenas adoecemos velhos, muito menos após construir uma grande história neste mundo. Nos vamos sem avisar. Temos o nosso próprio tempo. E foi essa realidade bruta que quase me adoeceu mentalmente naquele momento. Estou assustada, estou conturbada. 
    Não tinha a devida intimidade com sua história, mas convivi da mesma rotina durante três anos a sua presença. Me senti responsável por observar durante esses três anos a sua presença, era o mínimo que poderia fazer... lhe desejar uma boa partida, com todo o respeito possível pelo seu esforço. 
    Estou sofrendo pelo aperto de pela primeira vez presenciar alguém novo, ir embora. Mal sei como sentir ou lidar com essa situação. Não faz parte do ciclo da vida ver os pais chorarem pela perda de um filho. A injustiça é composta por quebras nas regras da vida. E essa era uma delas.
    Seus braços estavam em volta de um pequeno ursinho rosa, imortalizando a inocência pertencente a sua vida dentro daquele caixão. Nunca me esquecerei daquela cena. Muito menos sei como consegui detalhar essa cena aqui, em palavras sem soluçar novamente. Pois ultimamente não consigo detalhar sem antes respirar o mais profundo possível.
    Percebi que sou mais frágil que pensei. Percebi que sinto mais pelos outros do que por mim. Percebi que amo as pessoas e suas histórias de vida. Amo a originalidade de cada alma. Mas percebi acima de tudo, que gosto de sentir e perceber. Amo poder viver.

"Sempre em frente, não temos tempo a perder."

Nenhum tempo é tempo demais...
Somos tão jovens...
tão jovens!

Jovens mortais.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Houve um dia em que eu acordei rosa. Tão rosa que sorri para as flores do jardim, comi dois morangos e entrei em casa novamente. 
Acordei tão rosa que senti o cheiro da felicidade caminhando lentamente pelas minhas costas, um carinho tão cuidadoso, na qual duvidava das mãos pesadas externamente. 
Sorri para a vida com a cautela de uma criança insegura, abracei em poucos e bons minutos vários mundos que considerava meu. Larguei a saudade de mudança e agi. Promessas indefinidas e escassas não foram o suficiente para que a rosa despedaçasse.  
Deitei novamente nos braços da prosperidade, na esperança de observar se mesmo de longe, uma estrela  pudesse me explicar o sentimento do peito.
A grama não mais me incomodava com seus pequenos gravetos pontudos e acentuados, enquanto a paz se instalava em minha alma, peito e corpo. Ficamos duas horas deitados na grama, na noite escura, sorrindo para vida. Não foi ele, muito menos os outros anteriores. Era eu mesma descobrindo que a vida era exatamente aquilo. 
Passamos por sopros ruins, para aceitar os sopros naturais da vida, daqueles sopros que a gente sorri de olhos fechados sem ter medo do que virá. Apenas sentimentos o novo vento em nós.
Quase adormeci. 
Meu peito aliviou todas as dores do mundo, meditei em plena sexta-feira em um céu tão escuro e ao mesmo tempo tão sereno como os teus olhos. Guiei minha própria liberdade para meu coração.
A razão dormiu junto com o meu peito, e agora ambas estão em paz. 
Hoje eu acordei rosa, para nunca mais brigar com o cravo. Já me despedacei.

Mas hoje, sou um novo botão de rosa, pronto para florescer novamente.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O divino gosto da felicidade esperada

Senti uma necessidade calorosa de uma anotação simples que fosse para este momento. Hoje abre-se uma nova porta em minha vida, entendo seu conteúdo mas desconheço seus limites. Descobri através de uma oportunidade, que posso render mais frutos quando escolhemos a porta certa para se abrir. Estou nela. Estou de frente para esta porta. Inicialmente parecia ser simples e sutil, no entanto percebi que pode ser mais poderosa do que pensava.
Não sei como conduzirei exatamente tal desafio, pois pela primeira vez estou botando os pés para fora e seguindo meu próprio rumo a independência e autoconhecimento. 

Sempre registrei momentos marcantes em minha vida por meio deste. E não seria agora que o efeito fosse diferente. Amanhã começará uma nova fase em minha vida. Um grande passo que darei em minha vida e carreira. Uma fase com boas energias e sentimento puro, pois agora sim estou cercada de pessoas que acompanham meu processo e apoiam minhas pequenas e grandes conquistas. 
Estou certa de que cada dia que passa consigo com mais clareza e segurança escolher as pessoas certas para compartilhar estes pequenos pedaçinhos de minha história. 
Registro aqui minha felicidade diante o desconhecido e inexplorável campo do saber. Meu desejo para este fim de ano é que a felicidade se mantenha a minha porta todos os dias assim como estou vivendo nestas últimas semanas.
Estou sentindo com mais maturidade e alegria o verdadeiro gosto da vida. E posso-lhe garantir: É divino!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

o monstro

Sinto-me livre. Livre agora das suas inúmeras mentiras que assombravam minha vida. Uma vida na qual teria que constantemente lhe fazer perguntas, para que minha ilusória confiança fosse abstrata e você dissesse enfim a verdade, meses após. Uma meia verdade, uma mentira encapuzada.
Queixei-me aos ventos de meus próprios lamentos, sabendo que não poderia escutar-me, neguei tal acusação de minha parte. Segunda, terceira, quarta, quinta chance. Você fora um rabisco mal feito em minha vida, na qual eu nunca aprendera a solucionar. A cada traço, um rabisco cada vez mais abstrato, escuro e impossível de apagar. Um rabisco na qual a única opção seria jogar fora do que tentar apagar as marcas para recomeçar no papel em branco.
Um rabisco de dor, pranto e mentira. Uma mentira tão funda que fez com que eu ficasse de luto. Luto por algumas horas, naquele balançar de cabeça afirmando a questão, você morreu para mim entre minhas lágrimas de ódio. Sim, lágrimas de ódio que escorriam pela minha face, fazendo com que toda a vergonha de uma possível beleza destruída pela maquiagem, fosse indiferente aos outros que olhavam em relação ao ódio das suas mentiras ao longo dos anos.
Você apodreceu, apodreceu de caráter, alma e espírito. Apodreceu como pessoa. Apodreceu na minha lembrança mais funda. O nojo tomou conta da sua boca e de seu próprio toque.
Você morreu com todas suas fotos, cartas, frases, presentes. Coloquei tudo em um pequeno pacote e botei fogo para nunca mais poder abrir.

Você não existe mais para mim. 
Pois descobri que no fundo, você nunca existiu de verdade...
Era apenas uma ilusão de alguém que era um saco de mentiras.
Um alguém que usava máscaras o tempo todo. Um alguém que achava que era único, que poderia confiar plenamente. 

"Você confia em mim?" Foram suas últimas palavras otimistas, e em minutos depois, sem querer, acabei desvendando sua outra e pior mentira. 

Descobri um dos monstros que perambulam entre os homens. 
E deste monstro, só lhe desejo destruição em sua vida.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Eu simplesmente não deveria, mas estou. Estou escrevendo e detalhando sobre a dose que você deixou em mim, a dose que tenho a vontade de repetir, a dose que envolveu meus braços, cabelos e cheiros. 
Eu quase adoeci em seus braços na loucura de acreditar em suas palavras, como se os papéis fossem invertidos, e que agora, você vira o meu remédio. 
Teu silêncio me matou por mais de trinta dias, intercalados pelo teu cheiro e pele viciante. Sua tatuagem me atraia de uma forma ingrata, tão ingrata que era sua. Eu era sua menina. 
Aquela dose, aquele momento, aquele seu braço, aquele olhar junto ao sorriso malicioso que penetrava nos fundo de meus olhos, me fazia chorar. Chorar por saber que talvez tivesse um fim, ou até mesmo, nunca tivesse um começo.
Me pergunto todos os dias, quando isso começou? E como acabou? Teve apenas meio. Uma história com um meio, apenas. Com um pico bem desenvolvido, uma conexão absurda e concreta. Estávamos ali. E sabíamos disso.
Nosso meio foi detalhado por nossos suores e silêncios intermináveis. Vivemos de promessas nunca compridas, de planos mais do que longes de serem executados. Fomos subtraídos de um momento real, para algo totalmente inocente aos meus olhos. Repito: meus.
Sua loucura exterminou minhas esperanças de forma doentia e abstrata. Não deixando vestígios, você se anulou por completo, dando a perfeita impressão de que sua presença foi criada por uma esquizofrenia de minha própria natureza. Jogando a culpa da sua loucura em meu colo quente.
Seu vestígio virou apenas uma lembrança mal construída. Um meio pela qual hoje me encontro para poder escrever do que pouco lembro.
Hoje, culpo a bebida. A bebida da qual não lembro o gosto. Mas não do seu olhar, pois seu olhar doentio me matou aquela noite.

Fugi.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O silêncio que secou a alma.

Quem me dera se todo o amor que eu contemplasse em sua presença, fosse na mesma proporção em que o meu fosse aquecido pelos seus braços.
Lembro-me da forma com que carregava-me até o seu peito, para que pudéssemos entender a cura da saudade.
Foi um tempo intenso em que os dias se passaram como se estivessem em uma ventania. Nossos olhos nunca mais se conectaram, sua voz se calou e eu nunca mais te vi.
Quatro ou cinco dias. Foi o tempo suficiente para nunca mais conseguir pronunciar seu nome de forma segura perto de rostos alheios. Digo apenas na frente do espelho para poder curar-me desta insegurança que me trouxe. Sinto-me uma clandestina presa ao seu nome. Não me reconheço perante as sílabas. Não me apeguei a curiosidade de saber qual o motivo de sua procura, apenas determinei um ponto final na qual você com certeza não me daria em determinado tempo previsto.
Nunca saberemos se foi a melhor opção, e qual seria a outra opção, mas o nosso distanciamento me isolou de qualquer tipo de rotina programada, me silenciei entre as paredes de meu quarto durante dois meses. Nada mais via a não ser as suas lembranças escorrendo entre meus cabelos que você tanto acariciava entre os lençóis.
Não sei mais quem sou na sua presença, mas pelo menos agora adquiri uma certa identidade independente. Na última vez que nos vimos, você andava cambaleando, seus olhos mal conseguiam ficar abertos, vermelhos como fogo, e sua boca já não mais dizia com a minha. Comemos nossa janta em um silêncio absurdo, e confesso que foi perceptível a tentativa de buscar algum assunto para botar na mesa, para que a comida fosse digerida de modo mais agradável e saudável. Pois lembro-me a forma como engoli a seco toda aquela comida. 
Você preferiu um prato feito, e eu um fast food barato. Lembro-me disso. Sua indiferença só quebrou ao oferecer-me o seu sorvete depois na sobremesa. Mas antes disso, nos alimentamos no pior dos piores silêncios já presenciados... o da indiferença. Apesar de que até nossa andança no carro não fora diferente. Pois o fato de eu ter pagado o estacionamento, me fez ver a dimensão de sua estranheza e indiferença.
Não queria saber de sua vida, e você muito menos da minha. "Saudades" dizia forçosamente para que o silêncio se rompesse no carro.
Mas nos resolvemos poucas horas depois, ou pelo menos, fingimos nos entender por ali mesmo, entre carícias e abraços, beijos sutis e química arrumada. 
Certa noite, sonhei que seu prédio estava pegando fogo, você tinha se jogado da janela para salvar sua vizinha que aparentava ter no mínimo 40 anos a mais do que você. No mesmo sonho, cuidei de seus ferimentos, orgulhosa por você ter salvo a vida de alguém.
Alguém. Você salvou alguém. Confesso que é engraçado descrever isso por palavras, pois você mesmo disse que nunca conseguiu salvar alguém, muito menos salvar-se. O próprio vizinho lhe salvou da morte anos atrás.
Adoeci alguns dias pelo meu próprio choro que engolia constantemente em sua ausência, aprendi a lidar com meus maiores defeitos: a ansiedade e a emoção excessiva.
Parei de almejar que os dias passassem rápidos e busquei soluções, tal qual minhas lágrimas que se alojaram em algum canto do meu corpo, longe de meu coração. Essa solução foi inesperada, e mal pude opinar sobre, simplesmente aconteceu. Não digo que secaram por completo, pois de vez em quando tendem a cair e me recepcionar em vida. Porém, nada comparado a como eu era antes de te ter em minha vida.

Você secou as minhas lágrimas da pior forma possível. Você não as secou externamente como muitos casais costumam fazer, você as secou internamente. 

E a solidão é o meu pior castigo.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Meus dizeres estão cada vez mais escassos, pois meus olhos já estão respondendo pela minha alma inquieta, buscando perguntas para que meus olhos possam consertar a dúvida.
Meus ouvidos já não confiam na verdade alheia. A verdade é variável. Somos mutáveis em nossos próprios sentidos. 
Somos ovelhas perdidas entre o rebanho, e sozinha nos encontramos em nós mesmos. 

06/08/2014

sábado, 19 de julho de 2014

O meu viver enraizado, aos poucos conceituado.

    Era exatamente esse abuso de coragem exorbitante que faltava-me no momento, para que saísse dessa órbita enlouquecida de querer fugir. Estou criando raízes de longa duração onde me encontro. Os motivos para qual queria fugir, fugiram de mim, minha coragem os assustou. 
    Aos poucos creio que não estou abrindo mão de algo que parecia ser um desejo territorial, e sim, estou adaptando-me a controlar um tipo de freio que deveria ser cultivado por todos. Uma pausa que necessita ser regada, uma pausa na qual a paciência lhe fará gerar a mais pura felicidade, parecendo que seja inventada. A pausa é necessária para nos conhecermos. É a voz no silêncio, o sopro da alma falado por nós.
    Estou caminhando rumo ao sossego emocional, onde consta um grande estudo planejado, coração aberto, pés firmes e calor ardente. Sossego emocional não se concluí em algo estático e sereno, e sim, vivido com sabedoria e confiança. Não quero sentir nada que esteja morto, conviver com coisas sem sentido próprio. Estou na busca de sentidos para continuar trilhando algo que está por vir, algo que me deixe viva, um objetivo que aos poucos se define por linhas de certezas. Meu coração continua voando na vontade de conhecer terras desconhecidas. E será este meu objetivo que aos poucos tende a enraizar. 
    Terras desconhecidas, cabem aos corpos desconhecidos, ou até mesmo em sonhos humanizados. Quem sabe a nova terra na qual eu queira me instalar, seja completa de suor e choro, pelos e barba? Será apenas um lugar com uma cultura diferente, um pouco mais frio para se morar, ou quem sabe até um pedaço de grama iluminada pelo sol em que posso escrever meus artigos em paz? 
    Ultimamente estudo e economizo o fruto de meu trabalho para assim voar. Logo, acredito que em pouco, estarei voando. Voando simplesmente pela pura rebeldia organizada e controlada de meu ser que aos poucos vem esculpindo um objetivo. 
    Chega a ser engraçado como minha vida, antes aturdida pela covardia de bocas alheias, negava o fato de que aqui não era meu lugar. Que ao fechar os olhos para o mundo e me reconhecer em outro país fosse a resposta certa. É inexorável dizer que amor move vidas, sonhos e atitudes. Me mudo, me completo e me recomponho... mas muitas das vezes, me reinvento. 
    E é nesta reinvenção, que me acontece de tempos em tempos, prova-me que a forma como se vive, a superação e as pequenas conquistas internas, são exatamente a vitória de estarmos vivos. Foi necessário parar de sonhar por algum tempo, e dentro de meu próprio silêncio, organizar a balança dos sonhos visando algo real. Agora percebo o poder da pausa antes dita. A abstração resolve dúvidas.
    Quanto aos pesos desnecessários nesta balança,cabe a nós mesmos escolher que posição tomar quanto a ele: Se sobrevivemos ou nos enterramos com este pequeno peso. 
    Pude ver que sobrevivi a ele, assim como tantas outras vezes. Não minto ao dizer que já morri e me enterrei por alguns estúpidos motivos, com seus variados pesos, durante meses. Mas creio que já estou curada da maldição do partido. Se hoje me quebro internamente, quebro-me por novos motivos e pesos...Hoje descobri que há pesos benéficos que temos que analisar cuidadosamente como lidar com eles... Até mesmo nessas pequenas falhas da vida, sinto-me feliz. 
    Feliz por saber que tenho novas pessoas em meu ciclo, novos motivos, e nada tão passado assim para ser dolorido ao ponto de não poder mais seguir. Não sofro mais com memórias passadas, reciclei meu coração. 
Se hoje choro por sentimento, é o sentimento de alma madura que chora por mim. Estou feliz por tudo o que já senti e vivi, aprendi a conviver com casos aparentemente impossíveis. Cresci com meus pequenos pesos e defeitos.
    Aos poucos deixo enraizadas minhas vivências na qual tenho orgulho de mostrar, de resto... queimo. Eu sobrevivi ontem a queda que hoje restaurei em meu coração. Sofro por quem merece o tal do restauro, sorrio para quem merece meu silêncio. E assim, vivemos para nos aquecer no inverno do coração que nos gela muitas vezes... 
    Vivemos ao máximo para que no fim, possamos entender, pelo menos o básico, o conceito do que é viver.  


domingo, 13 de julho de 2014

Leve frescor: O assassino de realidade.

O leve frescor que ecoa em nosso peito, é o assassino de realidade. 
Nos machuca, nos torra, nos queima, derrete, amassa, entorta, revira e vira outra coisa,e ao mesmo tempo... volta a ser o que era. Cresce, enxuga o cheiro das flores mais lindas, queima as lágrimas e brota cactos. 
O leve frescor vira lago, rio, mar, vira tempestade poderosa até virar chuvisco que cabe dentro de uma lágrima. Queima olhos, estômago, mãos, queima corações, transpira poemas, transpira solidão. Queima em beijos também.
Reflete silêncio, faz música aos nossos ouvidos. Nos faz dançar, gritar, cantar desafinado. Nos faz também inventar promessas, motivos e desculpas para encontrá-lo.
O leve frescor nos faz escolher o vermelho, e dele pinta a unha. Arruma o cabelo, escolhe o melhor vestido e compra perfuma novo. Escolhe o melhor lenço, a calça favorita e a bota mais arrumada. Compra um chocolate de presente, faz um cartão com um desenho adicionando um poema escrito de madrugada enquanto não se dormia. Economiza o dinheiro, esquece outros rostos, se afasta de uns, se aproxima dos bons. Floresce a alma, brinca com os passarinhos, dorme de conchinha, sorri no escuro. Segura mãos, pés, cabelos e pescoços. Vira um laço sem nó, ou nó sem dar laço. 
Ele é maldito, é uma doença, nos deixa surdos, cegos e incapacitados. Viramos dependentes emocionais, nos curamos com pouco, mas a distância piora a gravidade da situação. Nos torna patéticos. De chegar ao ponto de tentar transcrever o que não se limita com palavras.
Mas o leve frescor se torna um frescor tão pesado, que nos faz escrever para livrá-lo da dor.
O leve frescor pesa. E ao mesmo tempo, nos faz flutuar.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

O leve frescor

E ao mesmo tempo em que penso em tudo, penso apenas em pequenas promessas feitas e de fato, realizadas. Marco o embalo de nossos sorrisos e pequenas piscadas de olhares entre alguns passos marcados. 
Estou sentindo o frescor, o maldito frescor que me deixa inquieta e não me deixar dormir. Gosto de senti-lo de volta, estava com saudades.
Sinto a sua presença em volta de minha cintura aquecendo meu olhar em formato de um sorriso sincero.
Perigosa. Estou perigosa perto de você, pois você me trouxe de volta ao perigo. 
Talvez por lhe querer perto de minha morada, ou por me fazer rir de verdade sendo eu mesma em brincadeiras banais... mas que encantam nossos peitos de risadas amigas. Isso me deixa em um perigo gostoso de se sentir.
Sua risada, sua voz. Quero guardar em um pote, quero repetir mil vezes o som, quero segurar na sua mão infinitas vezes de forma clandestina.
Um amor clandestino quero sentir ao seu lado. Apenas isso.
Saudade que aperta de ver seu sorriso que me cativou naquela noite chuvosa. Não, não estou forçando poesia, simplesmente estava chovendo e apesar de tudo, lá estava você.
Você estava a minha frente e mal pude reagir, mal pude consertar meus pequenos defeitos, já estava pronta para o frescor da sua alma bater em meu peito. 
Replay, ainda escuto sua voz. Ainda vejo sua foto. E já são três da manhã.

Sorri para você, você sorriu de volta.
E assim você me deixou sorrindo até eu cair no sono.


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Estrada de chão

Talvez seja tempo de respiro perante o caos. Nada mais me tira o chão do que um sonho corrompido. E juntando as duas ideias, vejo que posso sim ficar no chão enquanto o caos se faz presente, já que meu suave respiro pode ser claro em meio ao sonho corrompido. Prometo que estarei mais em paz enquanto a viagem estiver mais direcionada. A paz de estar confiante de si mesma, me engrandece. O planejamento dos dias entrou em declínio a partir do momento em que parei de esboçar falsos sentimentos.
Estou movida a ideias presentes, compostas de palavras e sentimentos puros de inovação. Não me permito experiências passadas sendo repetidas em tamanho grau, seria tolice de minha parte ignorar o que passei e derrubar todo o aprendizado até então.
Respiro no caos, afobe-me na paz.
Estou seguindo a minha estrada de chão.



a batida de ninguém

O silêncio está começando a agredir meus olhos, a cada vez que vejo sua face retorcida em meu retrovisor. 
Sou suspeita ao falar das coisa móveis de meu quarto, pois não ouso tocá-las sem que a informação nostálgica faça livrar-me delas de fato. 
Perambulo olhares alheios em busca de um olhar sincero, daqueles que você confia e responde com um sorriso feito de coração. Coração tão mole que deixa a perna bamba de certezas tolas. E são do tipo de tolices que quase ninguém busca reconhecer mais.  
Esquecem de rotular meus potes de vidros com os corações que já roubei. Roubei para cuidá-los, preservá-los. Corações amigos que sofrem por amor. 
Não me permita investigar meu próprio pote, pois já nem sei mais onde está. Perdido isso é certo. Insubstituível intuição de problemática não resolvida. Pote sem tampa caído no chão da rua sem saída.
Não sou exigente em cuidados, apenas os necessários para a sobrevivência desta parte que insistem dizer que faz parte de nós mesmos. Parte de um corpo chamado "meu" que de meu não há de ser, sendo que o coração é repartido logo na primeira piscada calculada no centro dos olhos. 
Um coração não pode ser chamado de meu, sendo que não posso cuidá-lo como o restante de meu próprio corpo. Ele adoece e nada posso fazer, a não ser mandar cartas de boa sorte com uma receita médica de conselhos tolos e clichês.
E o silêncio me faz pensar na cura deste mal, deste silêncio que meu coração armazena. Da distância que percorreu, para então... chegar ao mesmo lugar.
De uma coisa tenho certeza, ele é mais maduro que minha própria voz.

Silêncio, por favor!! Quero ouvir ele bater enquanto vive!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Só isso

O poder que julga a carne a tecer o direito de plenitude estável no ambiente, é o mesmo poder que julga que a felicidade deve ser constante em corações puros. 
Cresci no meio de inúmeras formas de purezas claras e diretas, a chegar ao ponto de compreender a sensibilidade de olhos alheios e o pequeno sorriso que floresce em meio a desgraça.
Senti-me inerente com aquela sensibilidade feliz. Fui provocada por um certo tipo de perguntas indispostas a serem respondidas, na qual refletia mesmo assim. 
Me opus ao desejo de abrir minha vida a uma inferioridade de ideias não compreendidas. Talvez esteja certa de que no silêncio minhas palavras tenham mais valor, tendo em vista que ouvidos sujos não adocicam belos sentimentos.
Aquietei-me diante a indiferença daqueles que nos observam com repúdio.
Fui ler e logo adormeci, belas palavras enfeitam meus sentimentos e ideias futuras. 

domingo, 11 de maio de 2014

Estes dias.

Ainda não desvendei o mistério deste meu tal silêncio. Daria a desculpa de que talvez houvesse uma grande e longa reflexão interna, mas seria mais sincera dizendo que o cansaço de meu corpo reflete mais que a quietude da situação.
Vários dias percebo-me refletindo sobre os meus mais longes pensamentos, porém não achei necessário escrevê-los, relatá-los a mim mesma. Apenas os senti no silêncio de meu quarto. Presenciei o que precisava ser presenciado, sem marcação. Resolvi descansar de quem eu realmente era. Sem querer.
Talvez seja a saudade de uma presença física presente em minha vida, ou talvez a escassez daquele abraço diário que me aquecia em dias nervosos dentro de meu peito.
Sugeri que a solidão, para mim mesma, fosse doce. E foi.
Foi tão doce que senti o ar de meus dias mais gracioso, aprendi a conviver com a minha própria presença, meus próprios defeitos e ambições, minhas manias e inquietudes. Fui presente a mim mesma desde então. Tirei de meu dia, horas e horas para poder caminhar em silêncio com a minha própria presença, de sentar em uma biblioteca e ler livros que nunca li, olhar para pessoas que jamais voltarei a ver, apreciar a beleza de uma arquitetura esquecida. Refletia sem perceber, comecei a meditar sem rotular, comecei a me amar silenciosamente de uma pureza esquecida por todos.
Aprendi a amar meus pontos fracos e driblar algumas inseguranças, aprendi também a controlar a pressão feita a mim mesma perante a perfeição. Descobri características minhas até então escondidas, vista apenas a outras pessoas. Há muito tempo seria assim? Não sei. Me descobri mais teimosa do que o normal, mais desconfiada do que o que achava que era.
Achei uma solução para a metade dos problemas, e o silêncio me deu a resposta.
Descobri a pureza de ser amada por mim mesma. E aprendi que silêncio e solidão, são coisas necessárias... Silêncio também é vida. Silêncio é necessário. Amor próprio também!

Pausa.

Agora desvendei: Amadurecendo estou.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O som do coração

Talvez a noite não fosse mesmo para dormir, e sim, para cantar e saborear o gosto da vida. Me coloquei na estrada sem muitas expectativas em relação ao amanhã, apenas sentei na poltrona e adormeci pouquíssimos minutos.
Algo me deixava ligada, atenta, curiosa. 
Talvez a dúvida que seguia meus pensamentos, contribuiu para que eu pudesse me estabilizar naquele momento.
Sonhei alto e ninguém pode me julgar, olhei nos fundos de seus olhos enquanto continuava a cantar. Eu não sabia seu nome, muito menos ele o meu. Vivi em plenos minutos uma utopia sem fim de que a resposta de tudo estava em minha frente. 
Mas não botei expectativas, não pensei na sua história, muito menos na minha, mal sabia o que se acontecia ou se de fato, acontecia algo ali. Só sei que senti cada suspiro, cada borda de palavra dita, cada toque no violão, senti sua voz me chamando aos poucos para o conforto de sua alma. Você me trouxe a paz que eu necessitava para poder voltar a escrever tranquila. 
Um tipo de amor sereno, que não se encaixa a nenhum tipo de outro amor. Apenas um amor de momento, pelo momento, sobre o momento. O momento era puro amor.
Ninguém me ouviu, ninguém se importou com a minha alma sorrindo. Ninguém queria saber de minha história e minhas preocupações. Me senti liberta de todos os olhares alheios, e olhei para o som da sua alma poetizando em letras de música.

sábado, 29 de março de 2014

O dia em que chorei no sebo da cidade

Há pouco mais de um mês, migrei-me para o centro da cidade. Duas vezes por semana pela manhã, por motivos de estudo apenas. Coisa que há meses atrás estava fora de cogitação passar perto daquelas ruas. 
Duas horas de estudo. O suficiente para poder perambular o resto da manhã andando nas ruas do centro da cidade.
Neste mês estou rasgando atalho por atalho de meu mapa e construindo um caminho único para mim. Sou a perdida das ruas tentando encontrar-me em algum atalho ainda não descoberto, em alguma rua nunca antes visitada por mim. Até mesmo atualizando meu mapa e tirando as teias de minha bota que antes adormecia em meu quarto em manhãs vazias e sonolentas, cobertas pelo tédio.
Estou descobrindo o gosto da liberdade do meu caminhar, a liberdade de escolha das ruas na qual quero seguir, sem pressa nem demora, sem pressão! Estou longe dos relógios, de rostos conhecidos, de obrigações com hora marcada. Estou sendo eu mesma no meu próprio caminhar, utilizando do meu tempo livre, uma escolha para a liberdade. 
Sou minha. Apenas minha nas manhãs de segunda e quarta-feira.
Sigo apenas por intuição esperando chegar a hora do almoço e voltar para minha correria diária na faculdade. Mas até lá, me desligo da pressão rotineira e poetizo no caminho, com detalhes específicos do momento.
Me perco nostalgicamente entre as esquinas e praças vazias... aliás, não tão vazias, pois há vários senhores que sentam em grupos para relembrar os bons tempos da mocidade, discutindo sobre política e jogos de futebol.
Virei ruas e ruas até conhecer pelo menos cinco sebos bons o bastante para deliciar-me nas manhãs de segunda e quarta-feira.
Eis que em um sebo de esquina, muito velho e visivelmente vazio, entrei. O que me chamou atenção fora a forma na qual ele me chamara para dentro dele. 
Sua simplicidade de sebo bem cuidado, bem dividido entre seções, livros e cd's esquecidos entre estantes, prateleiras e gavetas empoeiradas pela saudade de bons leitores e ouvintes.
Não era um lugar encantador, muito menos nostálgico. Tinha cheiro de esquecimento e peito apertado, as pessoas que ali trabalhavam estavam fatigadas na própria rotina. 
Procurei dentre os livros, algum que poderia completar minha busca por teoria teatral, mas achei apenas livros rasgados e não muito interessantes para meu foco de estudo.
Depois de vasculhar vários livros de outras áreas, acabei desistindo de buscar algo para leitura, foquei-me em procurar CD'S para completar minhas madrugadas silenciosas. 
Eis que ao procurar na parte de MPB, encontro o CD que me fez chorar no meio do sebo, o CD que completou minha manhã me inspirando de um jeito inexplicável. 
Eu chorei em um sebo. Se contasse para alguém, dificilmente acreditariam no que iria dizer... Mas chorei ao ler um trecho de amor escrito na capa daquele objeto. 
"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis. Como você! Te amo! 2006 Inesquecível! Sua sempre". Obs: Com seu nome rabiscado no final. 

Posso? Posso chorar ao me deparar com um CD de Ana e Jorge ao vivo, com um trecho destes escritos logo na capa e jogado ali, num sebo, sendo vendido por R$12,00? Acho que sim, posso chorar. Um momento de amor, uma delicadeza de declaração, um calor de duas pessoas sendo vendido em um sebo simples, caído, histórico... ali... no centro da cidade.
Ninguém me viu chorar. Mas imagino a dor em que os dois corações se partiram no momento em que tal pessoa resolveu se desfazer de suas lembranças mais bonitas e doloridas no relacionamento.
Mas não me contive, comprei o CD. Como forma de perdoar aquela pessoa com coração quebrado que vendeu seu bem sentimental mais precioso em um sebo. 

Sebos são mais do que lugares com coisas baratas, são lugares com bilhões de mundos e histórias a serem redescobertas e relidas... Assim como as pequenas ruas no centro da cidade.

Termino este post com uma das músicas do CD.


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

As rosas falavam o seu nome

Fale-me o que o vento não quer dizer, se o seu movimento envolve meus sentimentos embrulhados em cores no meio do papelão encostado. Sua tinta endurece meus pequenos passos inseguros seguidos de ansiedade do sabor da vida.
Descobri-me sonhadora em seus prantos, no seu balanço suave quase como uma derrapante ilusão no meio de um claro tímido abismo, um ombro que me apoiava em trajetórias opacas. A paz estava no calor de seu abraço.
Chorei versos em forma de gotas poéticas quando sua voz aliviou a minha alma, na qual aguardava fechada na gaveta esperando a sintonia passar.
Segue um ciclo do perfume das rosas que estabilizam no ar, suas mãos que instigam a segurança e o conforto de seu peito que me faz sonhar.
Segue a minha voz que fica clara que a poesia em mim sempre irá morar, custe o que custar, independente do tempo passar, em fotos e textos, meus sentimentos irei eternizar.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Talvez o destino não saiba andar

    As mãos foram feitas para ficarem no mínimo três centímetros longe. Fora o que ele me dissera por pensamento. 
    A utopia havia me arrastado para o abate do silêncio um ano após. Uma cena utópica dentro de uma própria cena. Alguns me chamariam de louca, mas fui sua em uma cena de menos de um minuto em dois anos.
Tirei minhas vestes na coxia para trocar a cena mal dita. Repetirei quantas vezes forem necessárias para que pudesse acontecer da melhor forma em palco.
    Adoeci. Pequei por não me suportar, abusei de doçura em boca diabética e me silenciei nas vestes caídas ao chão. Era sua na essência de meu próprio ser. Não sabia também, mas talvez em algum pensamento maduro, surgira tal admiração."Eu te amo". Ouvi, de uma cena ridícula de pequenos segundos acumulados, onde na verdade fui colocada nos últimos segundos de finalização de roteiro, mas ouvi. E pela primeira vez senti-me sendo alguma personagem de verdade. E percebi que até uma pequena personagem com 30 segundos de vida tinha mais coragem do que eu mesma ao te ver.
    Tive a oportunidade de segurar suas mãos. "Eu te admiro". Eternizei meu único sentimento dito ali, depois não mais arrisquei. Calei-me em pleno mês de julho.Mal te conhecia, mas tanto tinha a dizer.
Sentei no abismo da escada circular: Nunca seremos nada, a não ser personagens em cena. Ele o homem, eu o coro. Assim pensei, meses antes.
    O coro ajuda no volume dos pensamentos de seu próprio ser. Não serei a mulher, nem a segunda mulher, serei seu pensamento, sua utopia gritada de longe, do balcão por trás das cortinas, antes mesmo da cena oportuna debaixo do guarda-chuva.
    Meu homem estava ao vento, e por lá sempre ficou e ficará. Corroí minhas lembranças retomei a cena e pus-me a lembrar .
    Suspirei alguns instantes perto de seu rosto, atolei-me de sintonia em nossos longos abraços, gritei de agonia ao te ver partir. Suspeitei estar no lugar errado, me culpei por não ter agido nos momentos a sós em silêncio.
    Caminhamos numa longa viagem abrindo nossos peitos de histórias fracassadas, você ali conheceu minha vida. Ali abriu-se um novo caminho.
    Andamos ruas e ruas, Maringá chamava nosso nome, que tal se nos refugiarmos para este sobrado? Pequeno, barato, bom lugar para se morar. Momento em que paralisei e sonhei novamente alguns bons minutos. 
Ridículo, eu era apenas uma menina. Mas pensava longe, pensava no começo de algo na qual eu estava disposta a entrar.
    Mas engoli meu sentimento em busca de algo maior, e me pus a arriscar algo longe dali.
    Faço teatro, cuido do teatro e a partir dele, vou me aperfeiçoando na vida. Era apenas uma criança em um ônibus lotado, cheio de dúvidas, crises, e novidades acumuladas.
    Estava sendo recheada pela confiança alheia. E assim, me dispus nos próximos meses. 
    Seu suor contaminava minha pele, sua risada invadia meu ouvidos, o teu   sorriso me forçava a me alegrar em dias tristes. 
O seu abraço foi o mais sincero até o último segundo apertado. "Chega" assim era dito. Aceitava.Mesmo eu querendo mais, separava por bom senso.
Aceitava porque eu não podia mais, não podia ser mais, deveria ser menos. Talvez eu estivesse em busca de algo não muito recíproco, talvez tivesse que ser menos, talvez um passo pra trás eu haveria de dar.Em silêncio, perturbada eu ficava.
Talvez eu devesse conversar mais com a Rosa, ela sim deveria saber o que dizer, ou talvez não. Já que a segunda mulher arrancara seu coração e fora embora. 
Dei minha chance, você deu a sua. Fugi ao sentir sua barba em meu pescoço. 
Era muita loucura para aquela noite insana, sentia você, sentia seus braços, suas mãos. Mas a sua barba. Sua. Me causou arrepios, me mostrou a realidade escondida, me mostrou que eu era fraca o suficiente pra suportar aquilo. Me mostrou que eu era a criança escondida que não estava pronta pra desafiar o que você finalmente parecia ter em mãos.
Era tanta dúvida, era tanta certeza ao mesmo tempo, que corri.
Corri para não voltar, para não jogar tudo pro ar, fugi para dar tempo de pensar numa solução. No último minuto, no último suspiro, logo depois que desisti da sua escolha, sua barba aparece em mim ressaltando o que eu já tinha certeza que iria esquecer.Não era justo, não foi justo. Logo agora que minha personagem abriu a mão de arriscar, logo agora que estava livre que um pensamento utópico infantil, sua barba me chamou no canto e me enfeitiçou nos meses acumulados.
    "Eles combinam, faça algo, não pode dar em nada". Engoli a seco as palavras mesmo suspirando perfume alheio. Confiei em um estranho meus sentimentos guardados. O que eu fazia ali? Não sei. Só sei que me pus a desabafar com ombros estranhos no meio de dezenas de luzes coloridas. 
Era talvez o fim de um começo nunca começado. As cortinas fechavam.
No dia seguinte, não houve abraço, não houve distância de três centímetros das mãos, não houve olhares trocados. Houve apenas o meu próprio silêncio por ti ignorado.

"Acho que já deu, não é? Você não sabe o que você quer da sua vida. Gosto de você,mas não posso te esperar pra sempre."

Sua barba será sempre a culpada por reativar meu coração.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Acabou-se o estoque do bar

Estou tentando manter controle sobre a situação. Não estou afobada, histérica muito menos pensativa demais. Estou adequada a situação, sendo sincera. Talvez eu nunca tivesse tido o gosto de realmente botar meus botões a funcionar, colocar minhas vontades a mostra, como tenho tido como resultado desde então.
Não sei exatamente desde quando esta mudança vem afetado minha vida, provavelmente depois que larguei mão de um grande amor. 
Descobri que sou muito misteriosa a mim mesma, a partir do momento em que comecei a decorar as minhas manias para contar aos outros. Sou mais desconhecida a mim mesma do que pensava. Tenho mania de achar que conheço a mim mesma a chegar ao ponto de me mostrar capaz de ser independente de meus próprios sentimentos. É nesta parte em que vou a um bar sozinha em busca de companhia e me dá uma certa agonia ao ver que minha bebida favorita acabou-se no estoque no bar.
E é nesta mesma hora, em que saio do bar ao encontro de um novo conhecido amor. Aliás, não usarei este termo. Amor é uma palavra tão velha e desconhecida em meu repertório, que faço questão de dizer que emocionalmente devo passar dos 40, mas nem completo 20.
Sou ignorada pelos meus próprios pensamentos, muitas vezes incomodada fico mas mesmo assim, não arredo meus pés do local atual.
Gosto de me desafiar para assim, conhecer meus limites.
Foi aí que vi, que sei interpretar bem, por mais que pense ao contrário. Sou um ninho de dúvidas e aspirações.
Faço listas e planos, mas nem um terço do planejado acontece.
Mais derramo chá e café em mim mesma, do que vejo algum plano realmente dar certo. 
O que mais queria agora, era tomar um belo de um quentão, acalmar meus pensamentos mais primários e deitar-me. Não é muito... mas também, não é pouco para a ocasião.
Seria o suficiente  para que minha mente descansasse e não precisasse pensar tanto em viajar para longe nos próximos dois anos. Desisto e tenho preguiça ao pensar que mais de 700 dias estão por vir. Volto a olhar minha cama, e penso logo em dormir.
Estou assustada, tenho escrito meus textos todas as noites aos exatos 5h32. 

É melhor cair na minha própria cama e me afogar em meus sonhos.

Boa noite.