sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Talvez o destino não saiba andar

    As mãos foram feitas para ficarem no mínimo três centímetros longe. Fora o que ele me dissera por pensamento. 
    A utopia havia me arrastado para o abate do silêncio um ano após. Uma cena utópica dentro de uma própria cena. Alguns me chamariam de louca, mas fui sua em uma cena de menos de um minuto em dois anos.
Tirei minhas vestes na coxia para trocar a cena mal dita. Repetirei quantas vezes forem necessárias para que pudesse acontecer da melhor forma em palco.
    Adoeci. Pequei por não me suportar, abusei de doçura em boca diabética e me silenciei nas vestes caídas ao chão. Era sua na essência de meu próprio ser. Não sabia também, mas talvez em algum pensamento maduro, surgira tal admiração."Eu te amo". Ouvi, de uma cena ridícula de pequenos segundos acumulados, onde na verdade fui colocada nos últimos segundos de finalização de roteiro, mas ouvi. E pela primeira vez senti-me sendo alguma personagem de verdade. E percebi que até uma pequena personagem com 30 segundos de vida tinha mais coragem do que eu mesma ao te ver.
    Tive a oportunidade de segurar suas mãos. "Eu te admiro". Eternizei meu único sentimento dito ali, depois não mais arrisquei. Calei-me em pleno mês de julho.Mal te conhecia, mas tanto tinha a dizer.
Sentei no abismo da escada circular: Nunca seremos nada, a não ser personagens em cena. Ele o homem, eu o coro. Assim pensei, meses antes.
    O coro ajuda no volume dos pensamentos de seu próprio ser. Não serei a mulher, nem a segunda mulher, serei seu pensamento, sua utopia gritada de longe, do balcão por trás das cortinas, antes mesmo da cena oportuna debaixo do guarda-chuva.
    Meu homem estava ao vento, e por lá sempre ficou e ficará. Corroí minhas lembranças retomei a cena e pus-me a lembrar .
    Suspirei alguns instantes perto de seu rosto, atolei-me de sintonia em nossos longos abraços, gritei de agonia ao te ver partir. Suspeitei estar no lugar errado, me culpei por não ter agido nos momentos a sós em silêncio.
    Caminhamos numa longa viagem abrindo nossos peitos de histórias fracassadas, você ali conheceu minha vida. Ali abriu-se um novo caminho.
    Andamos ruas e ruas, Maringá chamava nosso nome, que tal se nos refugiarmos para este sobrado? Pequeno, barato, bom lugar para se morar. Momento em que paralisei e sonhei novamente alguns bons minutos. 
Ridículo, eu era apenas uma menina. Mas pensava longe, pensava no começo de algo na qual eu estava disposta a entrar.
    Mas engoli meu sentimento em busca de algo maior, e me pus a arriscar algo longe dali.
    Faço teatro, cuido do teatro e a partir dele, vou me aperfeiçoando na vida. Era apenas uma criança em um ônibus lotado, cheio de dúvidas, crises, e novidades acumuladas.
    Estava sendo recheada pela confiança alheia. E assim, me dispus nos próximos meses. 
    Seu suor contaminava minha pele, sua risada invadia meu ouvidos, o teu   sorriso me forçava a me alegrar em dias tristes. 
O seu abraço foi o mais sincero até o último segundo apertado. "Chega" assim era dito. Aceitava.Mesmo eu querendo mais, separava por bom senso.
Aceitava porque eu não podia mais, não podia ser mais, deveria ser menos. Talvez eu estivesse em busca de algo não muito recíproco, talvez tivesse que ser menos, talvez um passo pra trás eu haveria de dar.Em silêncio, perturbada eu ficava.
Talvez eu devesse conversar mais com a Rosa, ela sim deveria saber o que dizer, ou talvez não. Já que a segunda mulher arrancara seu coração e fora embora. 
Dei minha chance, você deu a sua. Fugi ao sentir sua barba em meu pescoço. 
Era muita loucura para aquela noite insana, sentia você, sentia seus braços, suas mãos. Mas a sua barba. Sua. Me causou arrepios, me mostrou a realidade escondida, me mostrou que eu era fraca o suficiente pra suportar aquilo. Me mostrou que eu era a criança escondida que não estava pronta pra desafiar o que você finalmente parecia ter em mãos.
Era tanta dúvida, era tanta certeza ao mesmo tempo, que corri.
Corri para não voltar, para não jogar tudo pro ar, fugi para dar tempo de pensar numa solução. No último minuto, no último suspiro, logo depois que desisti da sua escolha, sua barba aparece em mim ressaltando o que eu já tinha certeza que iria esquecer.Não era justo, não foi justo. Logo agora que minha personagem abriu a mão de arriscar, logo agora que estava livre que um pensamento utópico infantil, sua barba me chamou no canto e me enfeitiçou nos meses acumulados.
    "Eles combinam, faça algo, não pode dar em nada". Engoli a seco as palavras mesmo suspirando perfume alheio. Confiei em um estranho meus sentimentos guardados. O que eu fazia ali? Não sei. Só sei que me pus a desabafar com ombros estranhos no meio de dezenas de luzes coloridas. 
Era talvez o fim de um começo nunca começado. As cortinas fechavam.
No dia seguinte, não houve abraço, não houve distância de três centímetros das mãos, não houve olhares trocados. Houve apenas o meu próprio silêncio por ti ignorado.

"Acho que já deu, não é? Você não sabe o que você quer da sua vida. Gosto de você,mas não posso te esperar pra sempre."

Sua barba será sempre a culpada por reativar meu coração.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Acabou-se o estoque do bar

Estou tentando manter controle sobre a situação. Não estou afobada, histérica muito menos pensativa demais. Estou adequada a situação, sendo sincera. Talvez eu nunca tivesse tido o gosto de realmente botar meus botões a funcionar, colocar minhas vontades a mostra, como tenho tido como resultado desde então.
Não sei exatamente desde quando esta mudança vem afetado minha vida, provavelmente depois que larguei mão de um grande amor. 
Descobri que sou muito misteriosa a mim mesma, a partir do momento em que comecei a decorar as minhas manias para contar aos outros. Sou mais desconhecida a mim mesma do que pensava. Tenho mania de achar que conheço a mim mesma a chegar ao ponto de me mostrar capaz de ser independente de meus próprios sentimentos. É nesta parte em que vou a um bar sozinha em busca de companhia e me dá uma certa agonia ao ver que minha bebida favorita acabou-se no estoque no bar.
E é nesta mesma hora, em que saio do bar ao encontro de um novo conhecido amor. Aliás, não usarei este termo. Amor é uma palavra tão velha e desconhecida em meu repertório, que faço questão de dizer que emocionalmente devo passar dos 40, mas nem completo 20.
Sou ignorada pelos meus próprios pensamentos, muitas vezes incomodada fico mas mesmo assim, não arredo meus pés do local atual.
Gosto de me desafiar para assim, conhecer meus limites.
Foi aí que vi, que sei interpretar bem, por mais que pense ao contrário. Sou um ninho de dúvidas e aspirações.
Faço listas e planos, mas nem um terço do planejado acontece.
Mais derramo chá e café em mim mesma, do que vejo algum plano realmente dar certo. 
O que mais queria agora, era tomar um belo de um quentão, acalmar meus pensamentos mais primários e deitar-me. Não é muito... mas também, não é pouco para a ocasião.
Seria o suficiente  para que minha mente descansasse e não precisasse pensar tanto em viajar para longe nos próximos dois anos. Desisto e tenho preguiça ao pensar que mais de 700 dias estão por vir. Volto a olhar minha cama, e penso logo em dormir.
Estou assustada, tenho escrito meus textos todas as noites aos exatos 5h32. 

É melhor cair na minha própria cama e me afogar em meus sonhos.

Boa noite.