quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Morto.

    Semi-viúva aos prantos,era como ficava, com seu olhar longe e deserto. Acariciando sua alma com imagens e lembranças de um longo passado corriqueiro, que a fizera crescer e se tornar a grande mulher que hoje, faz parte dessa sociedade maluca.
    Ela só queria um tempo pra respirar, tentar entender o porquê daquilo tudo, aquelas mudanças drásticas que o passado esmagara em sua vida, porém positiva por ter deixado-a tão madura como hoje.
Porque ela sofre calada? Ao menos alguém poderia estender-lhe a mão para confortá-la.
    Ele fora tão ruim em sua juventude, que tem orgulho disso.Estragou uma fantasia de um casamento perfeito, por pura infantilidade e falta de juízo.
Ela não o culpa mais, porque dentro dela, ele morreu, jovem. Um jovem morto em sua própria rebeldia.
    Mas confessa que sente pena das lembranças boas que poderiam ter rendido uma boa história de casamento, que poderia contar a todos aos 25 anos de casados, mas desistiu. Pela ironia do destino ambos desistiram.
    Eram um casal problema, porém se amavam intensamente. Planejavam grandes planos futuros, e um belo filho que poderia vir a nascer.
    Todos eram contra, amigos, família, e mesmo assim, ainda insistiram em longos meses, quase completando um ano, de pura resistência e puro amor.
    Até que um dia ela se permitiu ser viúva daquele amor doentio. 
    E matou-o de sua realidade. Deixando apenas uma vaga lembrança de sua existência, para nunca esquecer como fora sua adolescência.


Um comentário:

  1. Um momento de silêncio a todas partes de si que já tivemos de enterrar.

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