Durante anos adubei uma amizade com forte essência de vida e carinho, um sentimento de irmã que invadia minha alma que serena a cobria dos pingos de chuva.Pouco adiantou.
Cresci sendo rebelde, assim como nossas vidas costumavam a se cruzar, mas no meio de minha rebeldia, conseguia tranquilamente acalmá-la nos sufocos da vida. Coisa que a mim nunca consegui, e muito menos ela a mim. Pois ela virara uma pessoa desconhecida aos meus próprios sentimentos. Algo estava errado.
Sabia cada mistério, cada segredo de sua alma, entendia seu olhar inquieto, e seu jeito duro e grosseiro de ser. Mas não a julgava. Amava o seu jeito, mas infelizmente ela só amava quem ela queria, não a quem merecia. Escolhia o status a dedo.
Nos anos que mais precisei de seu conforto, ela se opôs e me jogou contra o muro, deixando-me jogada aos urubus que derretiam meus ouvidos com seus gritos infernais, me fazendo chorar sentada.
Mas mesmo sem sua ajuda ou mão, levantei-me como quem tem uma vida inteira ainda a ganhar, e tomei uma decisão séria em minha vida: Adeus.
Já havia lutado há anos, por alguém que sempre me deixara morrer na praia, era injusto continuar apertando a mesma tecla sem ao menos receber um apoio quando necessário, ou básico.
Anos de silêncio após, peguei meus papéis, dobrei as cartas segurei forte minha mala, olhei em seus olhos e lhe disse adeus. Adeus com apenas uma palavras que no entanto foi o suficiente para ela entender o meu recado.
Até porque olhou-me no fundo dos olhos e nada disse, e mal segurou enquanto abraçava, ela se via livre de mim como um suspiro de alívio engasgado dentro de si.
Sua alma pouco se importava com a minha, não lhe importava as memórias ou lembranças de nossa história. Importava apenas era as quem ela encontrara.
Meses mais tarde, me telefonara convidando-me para uma pequena festa no apartamento dela, nada lhe disse. Apenas desliguei o telefone com um silêncio absoluto de minha alma.
Não se fazia necessário me esforçar para ser novamente: em vão.
No fundo ela sabia o que fizera, e no fundo ela sabia o quanto me importava com sua pessoa. Como também, no fundo de meu peito eu sabia que ali para sempre a amizade terminara, e isso creio que não fora em vão.

A reciprocidade não vai além do meio do caminho.
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