sexta-feira, 19 de abril de 2013

Pequena menina

Me olhei no espelho, 
fixei o olhar durante longos minutos.
Quem era esta moça com o rosto mudado, 
com o cabelo recém-pintado, 
mandando indiretas a mim?

Alguém me explica quem é ela,
com a cara um pouco abatida,
de noites mal dormidas, 
em que sorria com lágrimas nos olhos,
crescida assim?

As olheiras de cansaço não se desmanchavam,
seu corpo suado e exausto não negavam,
perante a beleza do seu destino até então.
Era trabalho árduo, estudo forçado,
duas faculdades em mãos.
Haja pique, haja fôlego,
haja santo coração!

Nunca mais ouviu a solidão.

Estava mais velha, 
com espinhas fora de época,
uma lembrança esquecida,
um namorado que era artista,
uma família muito querida.
duas calopsitas e manias esquisitas.

Mas em uma coisa no fundo gritava,
todo mundo já a olhava, mesmo assim ninguém comentava,
mas todos já sabiam da sua promessa bendita,
que realizava em suas desastradas andanças pela vida...

Que nenhum dia seria igual ao outro.

E cumpre tal promessa a cada dia que sobrevive.
E assim, reinventa sempre uma nova saída.

Vivendo dia, após dia.

                    

Um comentário:

  1. Lindo. Que talento pra escrever Fernanda!
    Rafaela

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