É sobre as paredes que falam sobre a sua ausência.
É sobre o vazio que estremece os escombros de meu peito em meio a carência.
O exato momento em que a rachadura se aprofunda e a terra cai. Me afogo nas lembranças do que não me lembro mais.
Me refiro aos versos que você escrevia e nunca mais mostrou.
Do papel rasgado do seu esboço, da madrugada intensa da sua insônia logo que me acordou.
Sobre o vinho que não tomamos porque nunca abrimos. Sobre o Tom Jobim que junto a noite nós ouvíamos.
Falo aqui sobre o chá quente que me preparava antes do jantar e do gosto de hortelã da sua boca ao deitar.
Das noites que observávamos a lua a toa e ao chão o cochicho da sua voz um pouco rouca.
Seu silêncio me corrói. Onde anda sua presença?
Saudade daquilo que me consome, saudade de quem nem sei o nome.
Saudade da minha única e inexistente referência.
sábado, 4 de julho de 2020
segunda-feira, 27 de maio de 2019
Essa eleição me ensinou muitas coisas que nunca imaginaria que aprenderia de forma tão prática:
Ensinou que muitos desconhecidos acabam se unindo muito mais do que nossas próprias famílias.
Senti a frieza e engoli seco ao ser ignorada e silenciada pela ÚNICA vez que dirigi e desabafei um post dirigido a uma pessoa de minha família. A mesma pessoa que declara que a liberdade de expressão é necessária, simplesmente excluiu ignorou meu desabafo. Uma pessoa que considerava e admirava.
Descobri que dentro da classe artística, há também os artistas de "elite" que fazem arte para selecionados e apenas para prêmios. Infelizmente a arte elitizada não tem coragem de divulgar e dar cara a tapa com sua arte em locais precários, até porque a arte deles é muito refinada para ser expressa para pouco ego.
Entendi que a arte de verdade une intelectuais representantes de diversas minorias, e intelectuais as vezes não são os que tem grandes diplomas e sim, os humildes e os de bom coração.
Compreendi que as pessoas não choram apenas por política, e sim, pela maldade do coração alheio. Porque eu pela primeira vez solucei na frente de uma televisão ao ver tanta gente maldosa ao nosso redor.
Confesso que não entendi porque um parente encheu meu saco a infância inteira para não brincar de "jogos de luta no videogame" porque isso incita a violência e poderia incentivar meu primx a ver coisas violentas, sendo que os mesmxs votam em alguém que incentiva o porte de armas. Cresci jogando jogos de armas, e nem por isso sou a favor do uso delas na vida real até hoje
Entendi que por mais que a gente fale sobre amor e empatia, quem É RUIM e tem o coração de pedra, nunca entenderá. A não ser quando perder alguém que ama muito.
Compreendi também que muitos não respeitam a opção do outro, apenas toleram em silêncio. E quando isso é divulgado publicamente, aí sim que o silêncio predomina.
E com isso, entendi que o silêncio fere muito mais do que palavras. O silêncio tem uma posição e isso agride principalmente aquilo que amamos.
Com essa eleição entendi que quem ama, cuida, respeita, protege. Não apenas com palavras e fucking posts no facebook.
Dá a mão, abraça, pergunta se precisa de ajuda, liga, bate na porta, puxa pro colo, estende o braço, dá o ombro.
Infelizmente com essa eleição vi que já fizemos muito pelos outros, e quando mais precisamos, estes mesmos outros só lembram de nós na parte boa ou quando eles mesmos precisam.
Vi com meus olhos que família não se escolhe, mas amigos de verdade a gente escolhe sim. E que muitos deles não nos abandonam quando precisamos... e estes mesmos ombros aparecem onde menos esperamos, no trabalho, no teatro, no vizinho, no amigo de escola, no porteiro do prédio.
Essa eleição me ensinou a ser mais humana e percebi que ser sozinha, é uma batalha árdua e ao mesmo tempo é possível ser feliz consigo mesma mesmo no caos.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
"Deixe-me ir, preciso andar"
Liberta-me desse respiro ansioso,
das inquietações desesperadoras do silêncio insistente.
Livra-me das inseguranças que amarram meus andares,
os mesmos que entrelaçam as memórias das escadarias do peito.
Receba-me de mãos quentes e firmes, me segura e olha um pouco mais profundo e percebe-me como uma alma leve porém perdida neste momento.
Descalça-me no meio da rua, e deixa-me livre pra sentir as pedras até calejarem meus pés para que eu me sinta mais viva para prosseguir viagem.
Preciso sentir-me próxima daquilo que reverbera dentro de mim.
Os pedregulhos do peito enchem-me de incertezas sobre os trajetos que ainda não alcancei. Observo-me aflita diante o longo caminho, ao perceber que a inconstância das expressões da sua face me desestabilizam na segurança do seu sentir.
Como um liquidificador velho, rebato entre as paredes de plástico pedras de gelo, que perigosamente se batem entre si até migalhar-se entre mínimos pedaços derretidos. E neste momento, sinto-me derretendo aos poucos diante da fragilidade das ações.
Sou da guerra perdida que anda no meio do campo ainda minado, da bexiga esquecida no céu que soltou-se de um pequeno descuido dos balões do parque.
Sou aquela que sentou-se na ponta das escadas esperando você voltar. A que sentou em cima da privada até esperar todos irem embora.
Reconheço-me como a sonhadora de papel. A moça dos escritos perdidos e silenciosos. Dona das linhas nunca lidas e jamais interpretadas. Dos versos inéditos vindos do peito de uma necessidade de expressão.
A atriz envergonhada, que expressa-se em versos tortos e mal escritos. Sem revisões ou segundas leituras. Escrevo por sentir a liberdade entre os momentos da correria e de pura exaustão.
Sou movida a linhas salvadoras de minha própria inquietude. E ao sentir-me perdida, me reencontro nas linhas como forma de explanar meus sentimentos. Assim posso verbalizá-los e entende-los.
Deixa-me ir.
Deixa-me aquietar.
Deixa-me ficar entre os cantos na quietude do respiro.
Deixa-me.
das inquietações desesperadoras do silêncio insistente.
Livra-me das inseguranças que amarram meus andares,
os mesmos que entrelaçam as memórias das escadarias do peito.
Receba-me de mãos quentes e firmes, me segura e olha um pouco mais profundo e percebe-me como uma alma leve porém perdida neste momento.
Descalça-me no meio da rua, e deixa-me livre pra sentir as pedras até calejarem meus pés para que eu me sinta mais viva para prosseguir viagem.
Preciso sentir-me próxima daquilo que reverbera dentro de mim.
Os pedregulhos do peito enchem-me de incertezas sobre os trajetos que ainda não alcancei. Observo-me aflita diante o longo caminho, ao perceber que a inconstância das expressões da sua face me desestabilizam na segurança do seu sentir.
Como um liquidificador velho, rebato entre as paredes de plástico pedras de gelo, que perigosamente se batem entre si até migalhar-se entre mínimos pedaços derretidos. E neste momento, sinto-me derretendo aos poucos diante da fragilidade das ações.
Sou da guerra perdida que anda no meio do campo ainda minado, da bexiga esquecida no céu que soltou-se de um pequeno descuido dos balões do parque.
Sou aquela que sentou-se na ponta das escadas esperando você voltar. A que sentou em cima da privada até esperar todos irem embora.
Reconheço-me como a sonhadora de papel. A moça dos escritos perdidos e silenciosos. Dona das linhas nunca lidas e jamais interpretadas. Dos versos inéditos vindos do peito de uma necessidade de expressão.
A atriz envergonhada, que expressa-se em versos tortos e mal escritos. Sem revisões ou segundas leituras. Escrevo por sentir a liberdade entre os momentos da correria e de pura exaustão.
Sou movida a linhas salvadoras de minha própria inquietude. E ao sentir-me perdida, me reencontro nas linhas como forma de explanar meus sentimentos. Assim posso verbalizá-los e entende-los.
Deixa-me ir.
Deixa-me aquietar.
Deixa-me ficar entre os cantos na quietude do respiro.
Deixa-me.
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Hoje não comi bolo
Hoje foi um dia diferente. Foi quieto. Foi normal.
Hoje não compartilhei do seu sorriso.
Não dividi nossas alegrias e nem fiz pacote de presente.
Não preparei surpresas. A dona da confeitaria não recebeu encomenda minha.
Meus pais me esperaram pra jantar e nem precisei dizer que voltaria tarde.
Minha cama me aguentou o dia todo e minhas cachorras agradeceram a companhia.
Até deixel a Mel subir na minha cama.
Hoje economizei, não sai. Não gastei.
Não vi seus amigos e nem os meus.
Fiquei comendo chocolate, o mesmo que pensei em te dar.
Hoje não comi coxinha nem quibe.
Não comi também o seu bolo e não bati palmas.
Lembrei que esqueci de passar o número dos salgadinhos pro seu pai mais um ano. Desculpe. Juro que um dia eu anoto o número.
Mas até lá já esqueci de novo.
Não sei como está sua avó, nem a cachorrinha.
Não sei mais por onde andam seus cachos. Se está mais comprido ou curto.
Me pergunto se em sua mesa ainda tem a planta com nome de gente e se ainda tem os desenhos atrás da porta.
Queria saber se ainda tem aquela camisa azul com bolinhas laranja que tanto gostava. Ou se já jogou fora também.
Se ainda come o mesmo burguer na rua e ainda pega chá no drive thru porque a embalagem é maior.
Ouvi boatos que você está mais profissional. Fico feliz.
Torço por você em silêncio mesmo que de longe.
Sei que como eu torço, é da mesma forma que você compartilhou meu luto em silêncio ao sentir minha dor ao perder minha cachorrinha.
Você se mostrou presente, eu sei. E eu gostei. Apesar... de tudo.
Feliz aniversário.
Sei que nunca lerá. Não tenho mais coragem de te enviar. Já são 4h e está tarde. Já passou da data. Mas tive que verbalizar.
Mas ainda sinto, e ainda lembro 00h00 quando pensei em te ligar.
Já eu, pretendo não comemorar mais aniversário algum meu.
Hoje foi meu ato de rebeldia, foi como me senti aquele dia.
Sozinha sem te ver. No dia em que eu comemorei nascer.
Hoje foi um dia difícil mas ainda assim, desejo parabéns a você.
Hoje não compartilhei do seu sorriso.
Não dividi nossas alegrias e nem fiz pacote de presente.
Não preparei surpresas. A dona da confeitaria não recebeu encomenda minha.
Meus pais me esperaram pra jantar e nem precisei dizer que voltaria tarde.
Minha cama me aguentou o dia todo e minhas cachorras agradeceram a companhia.
Até deixel a Mel subir na minha cama.
Hoje economizei, não sai. Não gastei.
Não vi seus amigos e nem os meus.
Fiquei comendo chocolate, o mesmo que pensei em te dar.
Hoje não comi coxinha nem quibe.
Não comi também o seu bolo e não bati palmas.
Lembrei que esqueci de passar o número dos salgadinhos pro seu pai mais um ano. Desculpe. Juro que um dia eu anoto o número.
Mas até lá já esqueci de novo.
Não sei como está sua avó, nem a cachorrinha.
Não sei mais por onde andam seus cachos. Se está mais comprido ou curto.
Me pergunto se em sua mesa ainda tem a planta com nome de gente e se ainda tem os desenhos atrás da porta.
Queria saber se ainda tem aquela camisa azul com bolinhas laranja que tanto gostava. Ou se já jogou fora também.
Se ainda come o mesmo burguer na rua e ainda pega chá no drive thru porque a embalagem é maior.
Ouvi boatos que você está mais profissional. Fico feliz.
Torço por você em silêncio mesmo que de longe.
Sei que como eu torço, é da mesma forma que você compartilhou meu luto em silêncio ao sentir minha dor ao perder minha cachorrinha.
Você se mostrou presente, eu sei. E eu gostei. Apesar... de tudo.
Feliz aniversário.
Sei que nunca lerá. Não tenho mais coragem de te enviar. Já são 4h e está tarde. Já passou da data. Mas tive que verbalizar.
Mas ainda sinto, e ainda lembro 00h00 quando pensei em te ligar.
Já eu, pretendo não comemorar mais aniversário algum meu.
Hoje foi meu ato de rebeldia, foi como me senti aquele dia.
Sozinha sem te ver. No dia em que eu comemorei nascer.
Hoje foi um dia difícil mas ainda assim, desejo parabéns a você.
segunda-feira, 20 de agosto de 2018
10/06/2018
Cheguei a um ponto da minha vida em que mais nada me contenta.
Meu otimismo sempre foi o meu forte, principalmente as expectativas que a partir dele criava todos os dias.
Sempre acordava buscando o melhor em cada coisa. Esperando o melhor dos outros e coisas a partir de minhas escolhas.
Depois de anos me jogando em cabeça em pequenas desculpas para ser feliz, percebi do porquê os moldes da sociedade ficam tão claros após certa idade.
Compreendi intensamente do porquê das pessoas se engessarem de tal modo que não conseguem rir de pequenos erros. Tudo vira escândalo, tudo vira bola de neve.
Tudo vira decepção.
Real isso.
Somos acostumados a buscar o melhor de nós sempre, e esperamos que o mundo faça o mesmo consigo e com eles mesmos. Mas nem sempre as pessoas estão na mesma sintonia ou se importam na mesma medida.
Ultimamente estou aceitando aquela grande ideia de se chutar o balde para longe e apenas sentar no asfalto esperando anoitecer para poder pegar meu balde de novo e levar pra casa para dormir.
Infelizmente as pessoas nos frustram de tal modo, que deixamos de nos reconhecer por um bom tempo.
Estou nessa fase, infelizmente.
Buscando o reconhecimento de mim mesma para a tal da mudança. Onde é que me perdi?
Meus sonhos sempre foram bem alinhados, totalmente executados, apenas com algumas mudanças óbvias. Mas ultimamente estou me afogando em dúvidas e cheiros, em corpos e anseios.
E cada dia que passa, vejo que ficar sozinha e em silêncio perante a esse tornado doente é a melhor opção.
Estamos enfrentando tanta merda política nessa país, que percebe-se que as pessoas estão perdidas.
Não se sabe se amanhã terá emprego, se a empresa vai fechar, se a gasolina vai acabar, se a comida faltará. Esse ano o Brasil resolveu parar e isso deixou as pessoas fora de órbita.
Não era para ser um texto político, nem é meu intuito chegar a algum lugar.
Apenas utilizo da escrita como uma forma de escape.
Ultimamente nem sei mais o que está sendo meu escape. A não ser buscar uma nova versão de mim mesma.
Queria realmente voltar a tomar gosto pelas linhas, pelas prosas e longas conversas. Mas a vida não dá esse tempo. É tudo pra ontem, é tudo envolvendo dinheiro e trocas.
Saí de um relacionamento mais insegura do que entrei. Não me reconheço mais. Aliás, minto. Saí mais segura do que sou, mas já não sei mais o que quero a partir de mim mesma.
Talvez essa seja a própria resposta. Reconhecer-me a partir de meu próprio silêncio e perceber que não há respostas nem conclusões para tudo.
Mas confesso que está difícil. Ando crítica demais, seletiva demais. Mas ao mesmo tempo pretendo inovar. Sentir outros cheiros, gostos, experiências.
Sinto falta de vida.
Acho que cheguei ao ponto em que meu trabalho e estudo me consumiram a tal ponto, que esqueci de observar ao meu redor, o que realmente me faz falta.
Vida que segue. Os meses me dirão
Vida que segue. Os meses me dirão
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