Há tempos que não sento para escrever as linhas do peito, há tempos em que não me conforto na própria escrita na esperança de me salvar em versos.
Ao depositar toda a confiança em mim mesma, abandonei os pequenos textos que me serviam como base para mudança, o tal do incentivo invisível para compreensão dos próprios mecanismos. Não que isso seja algo a me conturbar e entristecer...
Mas sinto falta. Sinto falta de compreender-me na extensão das palavras, na ironia da voz que ecoa em mim e me transporta para um lugar a parte de mim mesma.
Sinto-me parte desse todo. Mas ao mesmo tempo tão distante e tão silenciosa nos passos ao longo do dia. Escrevo em minha mente, mil textos falados, mas nenhum deles de fato passo ao papel. De vez em quando, muitos versos se perdem no bloco de notas do celular, mas nada o suficiente se torna bom para que vire mais um texto completo. Apenas epifanias nos momentos solitários.
Tenho gostado da minha presença. Minha presença em palco solo, na imensidão das ruas enquanto ando meio que desgovernada fugindo do quarto em que passo o dia inteiro trabalhando. Sinto-me bem. Sinto-me abraçada no contexto urbano e também acolhida por mim mesma na minha rota.
Aos poucos percebo que há um novo padrão em minha rotina. E esse padrão ainda não sei muito bem como funciona, em que situações da minha vida torna-se parte daquele novo padrão em que devo manter, ou na verdade faz parte das regalias que devo largar em qualquer esquina sem olhar para trás.
Sinto-me meio abandonada na trajetória de escolhas, sei que preciso de mais autonomia para isso. É necessário sair da zona de conforto mas é difícil.
27.05.2019
domingo, 4 de outubro de 2020
sábado, 4 de julho de 2020
O silêncio
É sobre as paredes que falam sobre a sua ausência.
É sobre o vazio que estremece os escombros de meu peito em meio a carência.
O exato momento em que a rachadura se aprofunda e a terra cai. Me afogo nas lembranças do que não me lembro mais.
Me refiro aos versos que você escrevia e nunca mais mostrou.
Do papel rasgado do seu esboço, da madrugada intensa da sua insônia logo que me acordou.
Sobre o vinho que não tomamos porque nunca abrimos. Sobre o Tom Jobim que junto a noite nós ouvíamos.
Falo aqui sobre o chá quente que me preparava antes do jantar e do gosto de hortelã da sua boca ao deitar.
Das noites que observávamos a lua a toa e ao chão o cochicho da sua voz um pouco rouca.
Seu silêncio me corrói. Onde anda sua presença?
Saudade daquilo que me consome, saudade de quem nem sei o nome.
Saudade da minha única e inexistente referência.
É sobre o vazio que estremece os escombros de meu peito em meio a carência.
O exato momento em que a rachadura se aprofunda e a terra cai. Me afogo nas lembranças do que não me lembro mais.
Me refiro aos versos que você escrevia e nunca mais mostrou.
Do papel rasgado do seu esboço, da madrugada intensa da sua insônia logo que me acordou.
Sobre o vinho que não tomamos porque nunca abrimos. Sobre o Tom Jobim que junto a noite nós ouvíamos.
Falo aqui sobre o chá quente que me preparava antes do jantar e do gosto de hortelã da sua boca ao deitar.
Das noites que observávamos a lua a toa e ao chão o cochicho da sua voz um pouco rouca.
Seu silêncio me corrói. Onde anda sua presença?
Saudade daquilo que me consome, saudade de quem nem sei o nome.
Saudade da minha única e inexistente referência.
segunda-feira, 27 de maio de 2019
Essa eleição me ensinou muitas coisas que nunca imaginaria que aprenderia de forma tão prática:
Ensinou que muitos desconhecidos acabam se unindo muito mais do que nossas próprias famílias.
Senti a frieza e engoli seco ao ser ignorada e silenciada pela ÚNICA vez que dirigi e desabafei um post dirigido a uma pessoa de minha família. A mesma pessoa que declara que a liberdade de expressão é necessária, simplesmente excluiu ignorou meu desabafo. Uma pessoa que considerava e admirava.
Descobri que dentro da classe artística, há também os artistas de "elite" que fazem arte para selecionados e apenas para prêmios. Infelizmente a arte elitizada não tem coragem de divulgar e dar cara a tapa com sua arte em locais precários, até porque a arte deles é muito refinada para ser expressa para pouco ego.
Entendi que a arte de verdade une intelectuais representantes de diversas minorias, e intelectuais as vezes não são os que tem grandes diplomas e sim, os humildes e os de bom coração.
Compreendi que as pessoas não choram apenas por política, e sim, pela maldade do coração alheio. Porque eu pela primeira vez solucei na frente de uma televisão ao ver tanta gente maldosa ao nosso redor.
Confesso que não entendi porque um parente encheu meu saco a infância inteira para não brincar de "jogos de luta no videogame" porque isso incita a violência e poderia incentivar meu primx a ver coisas violentas, sendo que os mesmxs votam em alguém que incentiva o porte de armas. Cresci jogando jogos de armas, e nem por isso sou a favor do uso delas na vida real até hoje
Entendi que por mais que a gente fale sobre amor e empatia, quem É RUIM e tem o coração de pedra, nunca entenderá. A não ser quando perder alguém que ama muito.
Compreendi também que muitos não respeitam a opção do outro, apenas toleram em silêncio. E quando isso é divulgado publicamente, aí sim que o silêncio predomina.
E com isso, entendi que o silêncio fere muito mais do que palavras. O silêncio tem uma posição e isso agride principalmente aquilo que amamos.
Com essa eleição entendi que quem ama, cuida, respeita, protege. Não apenas com palavras e fucking posts no facebook.
Dá a mão, abraça, pergunta se precisa de ajuda, liga, bate na porta, puxa pro colo, estende o braço, dá o ombro.
Infelizmente com essa eleição vi que já fizemos muito pelos outros, e quando mais precisamos, estes mesmos outros só lembram de nós na parte boa ou quando eles mesmos precisam.
Vi com meus olhos que família não se escolhe, mas amigos de verdade a gente escolhe sim. E que muitos deles não nos abandonam quando precisamos... e estes mesmos ombros aparecem onde menos esperamos, no trabalho, no teatro, no vizinho, no amigo de escola, no porteiro do prédio.
Essa eleição me ensinou a ser mais humana e percebi que ser sozinha, é uma batalha árdua e ao mesmo tempo é possível ser feliz consigo mesma mesmo no caos.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
"Deixe-me ir, preciso andar"
Liberta-me desse respiro ansioso,
das inquietações desesperadoras do silêncio insistente.
Livra-me das inseguranças que amarram meus andares,
os mesmos que entrelaçam as memórias das escadarias do peito.
Receba-me de mãos quentes e firmes, me segura e olha um pouco mais profundo e percebe-me como uma alma leve porém perdida neste momento.
Descalça-me no meio da rua, e deixa-me livre pra sentir as pedras até calejarem meus pés para que eu me sinta mais viva para prosseguir viagem.
Preciso sentir-me próxima daquilo que reverbera dentro de mim.
Os pedregulhos do peito enchem-me de incertezas sobre os trajetos que ainda não alcancei. Observo-me aflita diante o longo caminho, ao perceber que a inconstância das expressões da sua face me desestabilizam na segurança do seu sentir.
Como um liquidificador velho, rebato entre as paredes de plástico pedras de gelo, que perigosamente se batem entre si até migalhar-se entre mínimos pedaços derretidos. E neste momento, sinto-me derretendo aos poucos diante da fragilidade das ações.
Sou da guerra perdida que anda no meio do campo ainda minado, da bexiga esquecida no céu que soltou-se de um pequeno descuido dos balões do parque.
Sou aquela que sentou-se na ponta das escadas esperando você voltar. A que sentou em cima da privada até esperar todos irem embora.
Reconheço-me como a sonhadora de papel. A moça dos escritos perdidos e silenciosos. Dona das linhas nunca lidas e jamais interpretadas. Dos versos inéditos vindos do peito de uma necessidade de expressão.
A atriz envergonhada, que expressa-se em versos tortos e mal escritos. Sem revisões ou segundas leituras. Escrevo por sentir a liberdade entre os momentos da correria e de pura exaustão.
Sou movida a linhas salvadoras de minha própria inquietude. E ao sentir-me perdida, me reencontro nas linhas como forma de explanar meus sentimentos. Assim posso verbalizá-los e entende-los.
Deixa-me ir.
Deixa-me aquietar.
Deixa-me ficar entre os cantos na quietude do respiro.
Deixa-me.
das inquietações desesperadoras do silêncio insistente.
Livra-me das inseguranças que amarram meus andares,
os mesmos que entrelaçam as memórias das escadarias do peito.
Receba-me de mãos quentes e firmes, me segura e olha um pouco mais profundo e percebe-me como uma alma leve porém perdida neste momento.
Descalça-me no meio da rua, e deixa-me livre pra sentir as pedras até calejarem meus pés para que eu me sinta mais viva para prosseguir viagem.
Preciso sentir-me próxima daquilo que reverbera dentro de mim.
Os pedregulhos do peito enchem-me de incertezas sobre os trajetos que ainda não alcancei. Observo-me aflita diante o longo caminho, ao perceber que a inconstância das expressões da sua face me desestabilizam na segurança do seu sentir.
Como um liquidificador velho, rebato entre as paredes de plástico pedras de gelo, que perigosamente se batem entre si até migalhar-se entre mínimos pedaços derretidos. E neste momento, sinto-me derretendo aos poucos diante da fragilidade das ações.
Sou da guerra perdida que anda no meio do campo ainda minado, da bexiga esquecida no céu que soltou-se de um pequeno descuido dos balões do parque.
Sou aquela que sentou-se na ponta das escadas esperando você voltar. A que sentou em cima da privada até esperar todos irem embora.
Reconheço-me como a sonhadora de papel. A moça dos escritos perdidos e silenciosos. Dona das linhas nunca lidas e jamais interpretadas. Dos versos inéditos vindos do peito de uma necessidade de expressão.
A atriz envergonhada, que expressa-se em versos tortos e mal escritos. Sem revisões ou segundas leituras. Escrevo por sentir a liberdade entre os momentos da correria e de pura exaustão.
Sou movida a linhas salvadoras de minha própria inquietude. E ao sentir-me perdida, me reencontro nas linhas como forma de explanar meus sentimentos. Assim posso verbalizá-los e entende-los.
Deixa-me ir.
Deixa-me aquietar.
Deixa-me ficar entre os cantos na quietude do respiro.
Deixa-me.
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Hoje não comi bolo
Hoje foi um dia diferente. Foi quieto. Foi normal.
Hoje não compartilhei do seu sorriso.
Não dividi nossas alegrias e nem fiz pacote de presente.
Não preparei surpresas. A dona da confeitaria não recebeu encomenda minha.
Meus pais me esperaram pra jantar e nem precisei dizer que voltaria tarde.
Minha cama me aguentou o dia todo e minhas cachorras agradeceram a companhia.
Até deixel a Mel subir na minha cama.
Hoje economizei, não sai. Não gastei.
Não vi seus amigos e nem os meus.
Fiquei comendo chocolate, o mesmo que pensei em te dar.
Hoje não comi coxinha nem quibe.
Não comi também o seu bolo e não bati palmas.
Lembrei que esqueci de passar o número dos salgadinhos pro seu pai mais um ano. Desculpe. Juro que um dia eu anoto o número.
Mas até lá já esqueci de novo.
Não sei como está sua avó, nem a cachorrinha.
Não sei mais por onde andam seus cachos. Se está mais comprido ou curto.
Me pergunto se em sua mesa ainda tem a planta com nome de gente e se ainda tem os desenhos atrás da porta.
Queria saber se ainda tem aquela camisa azul com bolinhas laranja que tanto gostava. Ou se já jogou fora também.
Se ainda come o mesmo burguer na rua e ainda pega chá no drive thru porque a embalagem é maior.
Ouvi boatos que você está mais profissional. Fico feliz.
Torço por você em silêncio mesmo que de longe.
Sei que como eu torço, é da mesma forma que você compartilhou meu luto em silêncio ao sentir minha dor ao perder minha cachorrinha.
Você se mostrou presente, eu sei. E eu gostei. Apesar... de tudo.
Feliz aniversário.
Sei que nunca lerá. Não tenho mais coragem de te enviar. Já são 4h e está tarde. Já passou da data. Mas tive que verbalizar.
Mas ainda sinto, e ainda lembro 00h00 quando pensei em te ligar.
Já eu, pretendo não comemorar mais aniversário algum meu.
Hoje foi meu ato de rebeldia, foi como me senti aquele dia.
Sozinha sem te ver. No dia em que eu comemorei nascer.
Hoje foi um dia difícil mas ainda assim, desejo parabéns a você.
Hoje não compartilhei do seu sorriso.
Não dividi nossas alegrias e nem fiz pacote de presente.
Não preparei surpresas. A dona da confeitaria não recebeu encomenda minha.
Meus pais me esperaram pra jantar e nem precisei dizer que voltaria tarde.
Minha cama me aguentou o dia todo e minhas cachorras agradeceram a companhia.
Até deixel a Mel subir na minha cama.
Hoje economizei, não sai. Não gastei.
Não vi seus amigos e nem os meus.
Fiquei comendo chocolate, o mesmo que pensei em te dar.
Hoje não comi coxinha nem quibe.
Não comi também o seu bolo e não bati palmas.
Lembrei que esqueci de passar o número dos salgadinhos pro seu pai mais um ano. Desculpe. Juro que um dia eu anoto o número.
Mas até lá já esqueci de novo.
Não sei como está sua avó, nem a cachorrinha.
Não sei mais por onde andam seus cachos. Se está mais comprido ou curto.
Me pergunto se em sua mesa ainda tem a planta com nome de gente e se ainda tem os desenhos atrás da porta.
Queria saber se ainda tem aquela camisa azul com bolinhas laranja que tanto gostava. Ou se já jogou fora também.
Se ainda come o mesmo burguer na rua e ainda pega chá no drive thru porque a embalagem é maior.
Ouvi boatos que você está mais profissional. Fico feliz.
Torço por você em silêncio mesmo que de longe.
Sei que como eu torço, é da mesma forma que você compartilhou meu luto em silêncio ao sentir minha dor ao perder minha cachorrinha.
Você se mostrou presente, eu sei. E eu gostei. Apesar... de tudo.
Feliz aniversário.
Sei que nunca lerá. Não tenho mais coragem de te enviar. Já são 4h e está tarde. Já passou da data. Mas tive que verbalizar.
Mas ainda sinto, e ainda lembro 00h00 quando pensei em te ligar.
Já eu, pretendo não comemorar mais aniversário algum meu.
Hoje foi meu ato de rebeldia, foi como me senti aquele dia.
Sozinha sem te ver. No dia em que eu comemorei nascer.
Hoje foi um dia difícil mas ainda assim, desejo parabéns a você.
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