quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Novo conforto

Sinceramente, descobri que posso ser mais curiosa do que o habitual e corajosa também, confesso. Neste ano mergulhei em profundas e inúmeras possibilidades de distanciamento de meu próprio conforto. Ou melhor, adquiri um certo "novo conforto" saindo da minha rotina tão admirada por mim mesma. Confuso eu diria, mas na prática admito que não foi tanto assim. Pelo menos não nos últimos meses... 
As mudanças dos últimos quatro meses foram mais inesperadas do que dos últimos três anos. Não segui regras, planos nem objetivos. Simplesmente aconteceram sem pretensões e assim mudaram para sempre o meu modo de viver. Tanto que mal tive tempo de refletir e absorver tais mudanças em palavras, pois em seguida já haviam mudado novamente o rumo delas, e isso demorou para me estabilizar e tentar entender o que de fato estava acontecendo com a minha vida.
Não, não estou exagerando. É apenas um fato. Um fato que me amadureceu em três meses o que em um ano não havia conseguido.
O mais engraçado de tudo isso, é que em dias aparentemente "normais", foram os dias em que todos os meus planos saíram dos trilhos. Principalmente no dia em que descobri que sou apaixonada por maçã e canela. Algo relativamente pessoal, mas que mudou meu paladar drasticamente desde então e assim tornei-me mais saudável e sensível novamente.
Meu coração finalmente está em paz, em uma paz tão plena que posso dormir ao seu lado e ao mesmo tempo posso me amar como realmente sou... sem pressão, sem julgamentos. Estou amando aos poucos o meu menino, nos seus pequenos passos dentro de mim. E o melhor de tudo: em um grande segredo. Sem precisar espalhar aos sete ventos o sabor desta conquista amorosa. Enfim. 
Acordei um dia pontual e desastrada e no final dele, estava contratada para o meu primeiro emprego. O primeiro trabalho profissional que me gerou bons e gigantes frutos, na qual pude atuar em diversas áreas em apenas uma. 
Dormi como estudante e acordei como estagiária, atriz duplicada, diretora de arte, cineasta, e de quebra pesquisadora com um pé no rascunho de minha tese de mestrado.
Um pulo um tanto quanto gigante para quem sonhava que tudo isso se realizaria em até três anos, simplesmente acontecer em apenas três a dois meses. 
Confesso que ainda estou assustada,muito! Mas é um susto muito bom. Um susto viciante.
Mal acabou o ano, mas quero confessar por meio de palavras a minha alegria em poder sustentar esse meu vício de mudanças nos próximos meses em 2015. Estou me mudando sem deixar endereços, lembranças ou registros. Estou me mudando para uma nova vida que ainda estou custando a escrever. Todos os dias estou escrevendo um pequeno pedaço de um futuro brilhante. 
Brilhante não profissionalmente, e sim, um futuro na qual me orgulharei de ter me modificado tanto, sem preconceitos, julgamentos ou estas palhaçadas todas na qual muitas pessoas insistem em se aprisionar.
Estou finalmente livre e independente. 
Estou conhecendo a felicidade em sua forma mais genuína. 
Confesso em dizer que estou amando poder viver desta minha felicidade e compartilhar com meus amados que estão comigo nesta caminhada.

Hoje fiquei com vontade de abrir meu coração. E fico feliz em poder relatar minhas próprias conquistas neste blog tão pessoal e intenso. 

Boa noite. 

 
  

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Jovens mortais

    O inesperado me engoliu diretamente pelo peito, parecendo que havia engolido também cacos de vidros atingindo meu próprio estômago. Sofria no silêncio da tristeza mórbida. 
    Uma alma nova que subia aos céus, livrava o caminho das dores e lágrimas. Suas lágrimas. Que agora secaram junto ao seu corpo novato.
    Me sentia responsável pela sua história deixada ao mundo, e seu sofrimento lacrado no peito. Mas feliz ao saber que sua vontade de viver era maior do que qualquer outra coisa do mundo. 
    Eu sentia sede de esperança, estava confusa com as imagens que via em minha frente. Solucei tanto a chegar ao ponto de me virar contra a parede e me acalmar sozinha. Me senti ridícula por demorar a me acalmar, por ter explodido daquela forma entre soluços e lágrimas, entre olhos extremamente fechados tentando conter o mínimo das lágrimas caídas. Eu sofria como há muito tempo não sofria. Uma dor diferente a ser explicada. 
    Lutei comigo mesma para me acalmar forçadamente, para não estragar o silêncio da dor alheia. Respeitei a dor.
    Sou frágil, tão frágil como a sutileza de uma pétala de rosa que despenca do pé da roseira. 
    Sinto com a dor do mundo, abraço como se fosse o meu próprio ser. Sofro mais pelos outros do que por mim mesma. Sofria por ver os outros chorando, e por ao mesmo tempo quase sentir de perto o vazio em que agora ficava em seus corações.
    A noite fechei os olhos e ouvia sua voz. Ouvia risadas de uma jovem que se fora para a outra extremidade da vida, de forma injusta e breve.
Sua imagem junto ao caixão, me calou por dois dias. Ainda estou calada, mas ninguém precisa perceber. Escrevo para conter minha vontade de gritar ao mundo. Meu apoio maior sempre será na escrita. Queria um abraço, um abraço tão forte que pudesse fantasiar o vazio que encontrei em mim mesma. 
    A realidade agora bate na minha porta, sai da transe e lembrei-me que somos mortais, tão mortais que não existe idade para ir. Não apenas adoecemos velhos, muito menos após construir uma grande história neste mundo. Nos vamos sem avisar. Temos o nosso próprio tempo. E foi essa realidade bruta que quase me adoeceu mentalmente naquele momento. Estou assustada, estou conturbada. 
    Não tinha a devida intimidade com sua história, mas convivi da mesma rotina durante três anos a sua presença. Me senti responsável por observar durante esses três anos a sua presença, era o mínimo que poderia fazer... lhe desejar uma boa partida, com todo o respeito possível pelo seu esforço. 
    Estou sofrendo pelo aperto de pela primeira vez presenciar alguém novo, ir embora. Mal sei como sentir ou lidar com essa situação. Não faz parte do ciclo da vida ver os pais chorarem pela perda de um filho. A injustiça é composta por quebras nas regras da vida. E essa era uma delas.
    Seus braços estavam em volta de um pequeno ursinho rosa, imortalizando a inocência pertencente a sua vida dentro daquele caixão. Nunca me esquecerei daquela cena. Muito menos sei como consegui detalhar essa cena aqui, em palavras sem soluçar novamente. Pois ultimamente não consigo detalhar sem antes respirar o mais profundo possível.
    Percebi que sou mais frágil que pensei. Percebi que sinto mais pelos outros do que por mim. Percebi que amo as pessoas e suas histórias de vida. Amo a originalidade de cada alma. Mas percebi acima de tudo, que gosto de sentir e perceber. Amo poder viver.

"Sempre em frente, não temos tempo a perder."

Nenhum tempo é tempo demais...
Somos tão jovens...
tão jovens!

Jovens mortais.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Houve um dia em que eu acordei rosa. Tão rosa que sorri para as flores do jardim, comi dois morangos e entrei em casa novamente. 
Acordei tão rosa que senti o cheiro da felicidade caminhando lentamente pelas minhas costas, um carinho tão cuidadoso, na qual duvidava das mãos pesadas externamente. 
Sorri para a vida com a cautela de uma criança insegura, abracei em poucos e bons minutos vários mundos que considerava meu. Larguei a saudade de mudança e agi. Promessas indefinidas e escassas não foram o suficiente para que a rosa despedaçasse.  
Deitei novamente nos braços da prosperidade, na esperança de observar se mesmo de longe, uma estrela  pudesse me explicar o sentimento do peito.
A grama não mais me incomodava com seus pequenos gravetos pontudos e acentuados, enquanto a paz se instalava em minha alma, peito e corpo. Ficamos duas horas deitados na grama, na noite escura, sorrindo para vida. Não foi ele, muito menos os outros anteriores. Era eu mesma descobrindo que a vida era exatamente aquilo. 
Passamos por sopros ruins, para aceitar os sopros naturais da vida, daqueles sopros que a gente sorri de olhos fechados sem ter medo do que virá. Apenas sentimentos o novo vento em nós.
Quase adormeci. 
Meu peito aliviou todas as dores do mundo, meditei em plena sexta-feira em um céu tão escuro e ao mesmo tempo tão sereno como os teus olhos. Guiei minha própria liberdade para meu coração.
A razão dormiu junto com o meu peito, e agora ambas estão em paz. 
Hoje eu acordei rosa, para nunca mais brigar com o cravo. Já me despedacei.

Mas hoje, sou um novo botão de rosa, pronto para florescer novamente.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O divino gosto da felicidade esperada

Senti uma necessidade calorosa de uma anotação simples que fosse para este momento. Hoje abre-se uma nova porta em minha vida, entendo seu conteúdo mas desconheço seus limites. Descobri através de uma oportunidade, que posso render mais frutos quando escolhemos a porta certa para se abrir. Estou nela. Estou de frente para esta porta. Inicialmente parecia ser simples e sutil, no entanto percebi que pode ser mais poderosa do que pensava.
Não sei como conduzirei exatamente tal desafio, pois pela primeira vez estou botando os pés para fora e seguindo meu próprio rumo a independência e autoconhecimento. 

Sempre registrei momentos marcantes em minha vida por meio deste. E não seria agora que o efeito fosse diferente. Amanhã começará uma nova fase em minha vida. Um grande passo que darei em minha vida e carreira. Uma fase com boas energias e sentimento puro, pois agora sim estou cercada de pessoas que acompanham meu processo e apoiam minhas pequenas e grandes conquistas. 
Estou certa de que cada dia que passa consigo com mais clareza e segurança escolher as pessoas certas para compartilhar estes pequenos pedaçinhos de minha história. 
Registro aqui minha felicidade diante o desconhecido e inexplorável campo do saber. Meu desejo para este fim de ano é que a felicidade se mantenha a minha porta todos os dias assim como estou vivendo nestas últimas semanas.
Estou sentindo com mais maturidade e alegria o verdadeiro gosto da vida. E posso-lhe garantir: É divino!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

o monstro

Sinto-me livre. Livre agora das suas inúmeras mentiras que assombravam minha vida. Uma vida na qual teria que constantemente lhe fazer perguntas, para que minha ilusória confiança fosse abstrata e você dissesse enfim a verdade, meses após. Uma meia verdade, uma mentira encapuzada.
Queixei-me aos ventos de meus próprios lamentos, sabendo que não poderia escutar-me, neguei tal acusação de minha parte. Segunda, terceira, quarta, quinta chance. Você fora um rabisco mal feito em minha vida, na qual eu nunca aprendera a solucionar. A cada traço, um rabisco cada vez mais abstrato, escuro e impossível de apagar. Um rabisco na qual a única opção seria jogar fora do que tentar apagar as marcas para recomeçar no papel em branco.
Um rabisco de dor, pranto e mentira. Uma mentira tão funda que fez com que eu ficasse de luto. Luto por algumas horas, naquele balançar de cabeça afirmando a questão, você morreu para mim entre minhas lágrimas de ódio. Sim, lágrimas de ódio que escorriam pela minha face, fazendo com que toda a vergonha de uma possível beleza destruída pela maquiagem, fosse indiferente aos outros que olhavam em relação ao ódio das suas mentiras ao longo dos anos.
Você apodreceu, apodreceu de caráter, alma e espírito. Apodreceu como pessoa. Apodreceu na minha lembrança mais funda. O nojo tomou conta da sua boca e de seu próprio toque.
Você morreu com todas suas fotos, cartas, frases, presentes. Coloquei tudo em um pequeno pacote e botei fogo para nunca mais poder abrir.

Você não existe mais para mim. 
Pois descobri que no fundo, você nunca existiu de verdade...
Era apenas uma ilusão de alguém que era um saco de mentiras.
Um alguém que usava máscaras o tempo todo. Um alguém que achava que era único, que poderia confiar plenamente. 

"Você confia em mim?" Foram suas últimas palavras otimistas, e em minutos depois, sem querer, acabei desvendando sua outra e pior mentira. 

Descobri um dos monstros que perambulam entre os homens. 
E deste monstro, só lhe desejo destruição em sua vida.