sábado, 6 de janeiro de 2024

A costura da vida - 06.01.2024

É a alma que grita. 

Expondo suas vulnerabilidades para além do limite que se sente, o corpo berra movimentando-se para que você entenda. O socorro persiste nas entrelinhas, não há para onde fugir.

Vazio. A alma passa e navega entre os pensamentos mais sombrios. Corre do alto da neblina para o entardecer da lagoa escura. Nada se explica tamanha bola de pelo no peito, um falso preenchimento de uma ordem inexistente. O que acontece? Como se desfaz?

O tempo que não volta equivale ao nó que insiste em não se desfazer. Encurralando as novas pontas em costuras mal alinhadas e dividindo o fio em dois. As pontas só tendem a aumentar. O silêncio ao desfazer os nós é apaziguador na mesma proporção em que angustia. Os nós se desfazem com o suor da concentração. Nada mais funciona como antes.

A culpa persiste e a dúvida paralisa. A solidão se enrosca lentamente na tentativa de se desfazer nó e embolora-se no fundo do armário: junto aos outros tantos pedaços de pano em que o armário insiste em afundar no mofo. Histórias com vida agora presas a panos velhos. Nada volta, tudo se desfaz. Resisto em jogá-las fora.  

A continuação se torna neutra. Na combinação do preto com o branco, os tecidos seguem uma linearidade não muito criativa. Poupa-se energia dentro do modo comum, do despercebido. Mantendo o nó encurralado em suas saídas, o corpo se derrama nas singularidades dos tons, mantendo a cor como zona de conforto. Tudo se encaixa na paz do nó.

É perceptível a insistência em acolher a dor, expor os medos e angústias. Mas nem todos querem aprofundar nos seus próprios nós: segue-se em frente, na volta compramos outro novelo de lã. Enquanto o meu se acumula na insistência de se tornar linha, mesmo torta, mesmo amassada, mesmo dupla: pretendo me tornar linha regada de histórias. Um começo e um fim. Uma linha torta, perfurada por memórias boas e traumas. Uma linha que persiste em ser percurso, em ser compreendida como destino.

Mas há pouco para se fazer quando tudo se vira nó. O preenchimento do nó é um falso preenchimento de uma linha circular. A vida se embola quando não se compreende. Que sejamos sempre agulha para orientar por onde começar e cortar quando chegar o limite da linha. Pois toda linha, tem um fim. A vida é um processo de costura, começa sem saber onde chegará, só não pode deixar que os nós ditem a arte final. 

 


quarta-feira, 26 de julho de 2023

A data do seu aniversário

Não lembrei do seu aniversário. Todos os anos você me diz: você esqueceu mais uma vez. Sim, esqueci novamente e me desculpe. Minha cabeça anda vagando por lugares que nem eu mesma consigo acompanhar. Mas agora me peguei pensando: Será que hoje em dia as pessoas realmente decoram as datas de aniversário? Anotam em uma agenda? Colocam avisos, alarmes e lembretes? Ou só lembram quando os outros atualizam algo nas redes sociais? Duvido muito que se eu ficasse em silêncio no dia da comemoração do meu nascimento alguém se daria o trabalho de lembrar. Menos você. Você eu sei que lembraria. Desculpe. Esqueci do seu aniversário. 

Esqueci porque as memórias que carrego de ti ainda me doem e corro contra elas. Tento viver no contraste de manter as boas lembranças intactas, mas tenho um sério problema com memória, principalmente agora perto dos trinta. A nostalgia em excesso me adoece. Me faz perder a noção do limite dos meus excessos sentimentais. Me apaixono muito fácil e nunca esqueço quem amei. Ao mesmo tempo que essa é minha maior qualidade, é o meu maior defeito. Excessos de saudade em níveis lúdicos me adoecem. A liberdade é uma prisão. A saudade me incentiva a correr pelo mundo, atravessando o passado buscando entender porque raios não nos ouvimos com o peito aberto e não sentamos para conversar? Sim, eu não lembrei do seu aniversário. Não por maldade, mas porque na época você insistia em aparecer quando eu mais precisava de silêncio para me entender. Afinal quem se entende minimamente aos 16 anos? Sempre fomos contrastes perigosos, o tal da “coisa” que aparece quando menos espero você. Apareceu hoje. Pensei em você.

Quando mais precisei compreender meus sentimentos, você me invadia com palavras e sentimentos mergulhados em golpes doloridos. Éramos dois adolescentes em uma constante fuga que hoje completa mais de treze anos. Fuga do mundo, fuga de nós mesmos. Mas arrisco em dizer que hoje nos encontramos um pouco, cada um da sua forma e movimento. Confesso que as suas ligações de madrugada no meio da rua me adoeciam, de nervoso e de saudade. Eu ficava com você virando a madrugada conversando até você se acalmar e lembrar o quanto te amava. Mas ao desligar era eu quem precisava de colo e calma. Quem me amava na minha vulnerabilidade? Aprendi a me acalmar sozinha. Foi assim que a memória começou a falhar. Esqueci dos detalhes, menos do cheiro do cigarro. Esse até hoje a minha rinite faz questão de lembrar. Me forcei a esquecer de tudo para poder seguir em frente. Confesso que até anotei no bloco de notas, mas faz tempo que não lembro de me atualizar na lista. Digo, não estou justificando. Mas esqueci do seu aniversário. 

Mas quero que saiba que ainda guardo todos os presentes que você me deu.  Inclusive o porquinho - que parou de grunhir de tanto apertar e os papéis de bala que você me dava todos os dias pela manhã. Nunca esqueci o sabor da bala, pois lembrava que era a mesma do nosso beijo: morango. Feliz aniversário com quase dois meses de atraso. 22h15 de uma quarta-feira. Finalmente, lembrei que foi o seu aniversário.



quinta-feira, 23 de setembro de 2021

o silêncio das entrelinhas de uma noite sufocante.

O medo corroeu meu rosto por horas, como há anos não sentia na pele.
Paralisei. Como sempre paraliso no medo.
A voz alta, o tato descontrolado, os seus olhos arregalados corroendo o meu ser.
O que tanto a vida insiste para que isso continue? O que tenho de aprender com tudo isso? Essa repetição de karmas e violências gratuitas em minha vida. O que mais será necessário aturar nessa vida para chegar na tal evolução? 
Ali fiquei por quase uma hora, em pé - ou mais. Provavelmente mais. De boca aberta e olhos brilhantes, com lágrimas ameaçando a saltar dos olhos. Minhas mãos tremiam e quase que em movimentos repetitivos, elas arrancavam pele por pele em volta dos dedos. Mais uma das várias crises de ansiedade que instalaram em mim sem consentimento. Nem minhas lágrimas tinham coragem de cair com a gravidade, como se fosse um próprio conforto segurá-las em mim mais um pouquinho. 
Senti minha panturrilha formigar em uma mistura de medo e desespero, fiquei por horas parada. Medo de sair. Esse tal de silêncio paralisante me possuiu novamente de tal forma que não conseguia pensar em mais nada a não ser: Por quê isso novamente?
O que há de tão magnífico nesse poder exacerbado dos outros sobre o meu ser? É excesso de liberdade? Excesso de sinceridade? Essa necessidade de afirmação como algo negativo do quão imaginativa sou sobre minhas próprias narrativas de vida. Eu me invento, para sobreviver.
Mas confesso que ando cansada. Sinto que ultimamente estou apenas cumprindo as obrigações por aqui. Preenchendo a tabela da vida. Seguindo em um corpo que me serve como abrigo e morada diante do caos em meu peito. Vivo em um completo segredo misterioso. Talvez o meu maior segredo perante a todos, seja justamente viver no equilíbrio no caos de minha vida. Como consigo ter a essência poética em meio ao caos? Em meio a esse ódio descontrolado por todos. Talvez isso seja a razão da arte. A necessidade do movimento. Transformar o ódio em teatralidade e poesia. 
Ou o excesso, o movimento de transbordar vontade de viver, talvez. 
Essa pressa, essa vontade selvagem de viver a cada segundo... No fundo, sinto pela intuição que vou embora da festa mais cedo. Entende-me? Por isso a morte me assombra tanto em vida. Por isso dou risada da cara do perigo, eu já estou certa do destino final. Apenas crio narrativas mais reconfortantes para afirmar o que já sei. Mas saiba que, paraliso quando chega o limite. A voz alta para mim é totalmente corrosiva. Ela ativa todos os gatilhos inimagináveis de meu ser. Me encolhe, me distorce, me enfraquece. Não sinto meu corpo. Ou será que eu mesma fujo dele por alguns minutos? Onde está minha consciência? Para onde fujo nestes momentos? Para onde foi a incrível autora dessa história?
Nada mais é tão agressivo quanto o balanço de dedos perto do rosto. Caso não tenham a memória corpórea sobe isso, ignorem e agradeçam. É uma benção uma vida sem caos. Saibam apenas que o tempo passa lento... quase como uma eterna espera dos créditos finais, aquele suspense antes da queda do protagonista. Entendo o desespero feminino. Por anos compreendo em silêncio. Mas para quem ou onde materializar toda essa experiência? O mundo não quer nos ouvir. É uma bagagem inútil silenciosa que carregamos durante a vida. 
O que realmente me deixa confusa é perceber por onde exalo tanto amor? De onde vem essa imensa vontade de viver apesar de tudo. Apesar deles. Apesar de mim. Apesar das histórias e vivências?
Amo minha companhia, minhas ideias dançantes sobre a mesa, os rabiscos apaixonados em uma carta sem remetentes, em post it's espalhados com frases delirantes.
Amo me apaixonar pela vida, pelas coisas, pelas obras, pessoas e animais. 
Amo o que me move como artista. 
Talvez o grande segredo por trás dos escritos, seja a própria experiência do autor. A verossimilhança das histórias com a vida real. Essa mistura poética do mistério de um desabafo entrelinhas que se torna publicável. Que triste não podermos ser realistas com a própria realidade. A realidade é uma mentira inventada. O bom é que ninguém realmente saberá ao certo de onde surgem tantas inspirações para tais histórias, ou qual delas de fato é apenas um relato documental. Bendita seja a poesia. 
Talvez por isso o destino dos escritores. Talvez este seja o meu. Eu presto socorro a minha almas nas entrelinhas. Só quem realmente conhece a essência do autor, consegue observar os percursos sinceros em sua magnitude. Meu amor é através da subjetividade. Eu sublinho o que realmente quero dizer. Eu me declaro em pequenos símbolos. Eu sonho em pequenos verbos. Eu me reconstruo ao verbalizar o caos. Eu me reconheço e me inspiro adaptando meus próprios textos, mesmo sem publicá-los. Mais de 400 rascunhos espalhados por aí. 
O que seria de mim sem a arte? Sem o poder da palavra, das metáforas e dos sonhos.
Sinto que não pertenço ao aqui agora. É puro fruto da passagem. Sinto que a vida ainda me trará a paz necessária para simplesmente conseguir ser quem eu realmente sou... uma poesia anônima ambulante.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

o respiro no caos

Sinto que cada vez que a angústia bate em minha porta, vem junto um conjunto de palavras não ditas que saltam pelos dedos. Meu alívio na escrita anda ao meu lado em uma história de anos que contemplo seu amadurecimento em silêncio. A cada linha escrita, é um respiro em silêncio através de letras costuradas em sentimentos sinceros. A escrita lava, seca e costura a alma.

Quem diria que ao escrever o nome deste blog por conta de uma H1N1 em 2009, me trouxe quase 11 anos depois para aliviar minha alma em uma profunda pandemia. Seis meses sem sair de casa, com medo de não sobreviver até o fim do ano, a dor do afastamento, a frustração de sonhos não realizados e a ansiedade que se construiu em meu entorno por não ver quase ninguém neste período. 

Assim como todos os que ainda vivos neste mundo, abrimos mãos de sonhos, mudamos nossas expectativas sobre as coisas e pessoas. Nos frustramos, choramos em silêncio, nos afastamos de uma vida que não sei quando voltará ao normal novamente. Se é que existe um "normal" padrão a ser seguido, mas enfim...

Eu poderia ter escrito tanto os pequenos detalhes de tudo o que já passei nestes meses, mas sinto que não conseguiria com a mesma segurança que estou me dispondo neste momento comigo mesma. É preciso maturidade para observar, analisar e aprende o que se deve absorver das coisas. Entende? É um misto de análise de dados e falsas expectativas que ninguém nos ensina a lidar nesta vida. A não ser minha psicóloga, é claro. Aliás, bendita seja a terapia que abençoa a alma como um abraço quente. Mas apesar da terapia semanal, chega uma hora que o silêncio nos cansa. Nossa cabeça arde de tanto gritar frases não ouvidas, de sentimentos perdidos e não sentidos. E o pior, se coisas não escritas, pensamentos e reflexões que se perdem no eco de nós mesmos.

Sinto que estou numa nova fase de vida. E dessa vez digo que estou mudada internamente mesmo, não apenas por estar em um momento histórico de escala mundial. Estou na fase que ainda estou buscando compreender e aceitar em mínimos detalhes tudo o que aprendi até aqui e entender que esta sou eu atualmente. Ainda não sei muito sobre esta fase, mas percebi que a paz e o minimalismo se tornaram peças fundamentais para este meu crescimento e entendimento sobre a vida. É contraditório mas ao mesmo tempo necessário dizer que o meu silêncio fortaleceu a minha voz ao dizer "não" com propriedade. E esse "não" se resume a autocuidado e sanidade mental.

Os pensamentos que antes  achava um tanto quanto esquizofrênicos, hoje já me fazem sentido. Pois agora compreendo que sou eu mesma sussurrando em minha mente o que fazer de FATO com toda a experiência adquirida junto com o meu oceano de sentimentos não explorados.

As palavras não ditas hoje me transbordaram junto com lágrimas antes mesmo de escrever. E sinto que o fato de desabar é também parte do processo de construção. É necessário limparmos terrenos abandonados para construirmos novas perspectivas e estruturas. 

Não fui eficiente em entender por completo, mesmo que por mais de 11 anos de escrita neste blog, que a escrita é que me salva. E agradeço estas linhas por terem me dado o start de tirar folga de minha angústia e mostrar que as palavras podem ser curadoras em momentos como este, em que a ansiedade, frustração não podem ser maiores que o nosso gosto pela boa vida.

Eu sobrevivi ontem, e assim como vocês, estamos na luta para sobreviver mais um dia. 

domingo, 4 de outubro de 2020

texto esquecido

Há tempos que não sento para escrever as linhas do peito, há tempos em que não me conforto na própria escrita na esperança de me salvar em versos.
Ao depositar toda a confiança em mim mesma, abandonei os pequenos textos que me serviam como base para mudança, o tal do incentivo invisível para compreensão dos próprios mecanismos. Não que isso seja algo a me conturbar e entristecer...
Mas sinto falta. Sinto falta de compreender-me na extensão das palavras, na ironia da voz que ecoa em mim e me transporta para um lugar a parte de mim mesma.
Sinto-me parte desse todo. Mas ao mesmo tempo tão distante e tão silenciosa nos passos ao longo do dia. Escrevo em minha mente, mil textos falados, mas nenhum deles de fato passo ao papel. De vez em quando, muitos versos se perdem no bloco de notas do celular, mas nada o suficiente se torna bom para que vire mais um texto completo. Apenas epifanias nos momentos solitários.
Tenho gostado da minha presença. Minha presença em palco solo, na imensidão das ruas enquanto ando meio que desgovernada fugindo do quarto em que passo o dia inteiro trabalhando. Sinto-me bem. Sinto-me abraçada no contexto urbano e também acolhida por mim mesma na minha rota. 
Aos poucos percebo que há um novo padrão em minha rotina. E esse padrão ainda não sei muito bem como funciona, em que situações da minha vida torna-se parte daquele novo padrão em que devo manter, ou na verdade faz parte das regalias que devo largar em qualquer esquina sem olhar para trás.
Sinto-me meio abandonada na trajetória de escolhas, sei que preciso de mais autonomia para isso. É necessário sair da zona de conforto mas é difícil.

27.05.2019

sábado, 4 de julho de 2020

O silêncio

É sobre as paredes que falam sobre a sua ausência. 
É sobre o vazio que estremece os escombros de meu peito em meio a carência.
O exato momento em que a rachadura se aprofunda e a terra cai. Me afogo nas lembranças do que não me lembro mais.
Me refiro aos versos que você escrevia e nunca mais mostrou. 
Do papel rasgado do seu esboço, da madrugada intensa da sua insônia logo que me acordou.
Sobre o vinho que não tomamos porque nunca abrimos. Sobre o Tom Jobim que junto a noite nós ouvíamos. 
Falo aqui sobre o chá quente que me preparava antes do jantar e do gosto de hortelã da sua boca ao deitar.
Das noites que observávamos a lua a toa e ao chão o cochicho da sua voz um pouco rouca. 
Seu silêncio me corrói. Onde anda sua presença?

Saudade daquilo que me consome, saudade de quem nem sei o nome.
Saudade da minha única e inexistente referência. 

segunda-feira, 27 de maio de 2019


Essa eleição me ensinou muitas coisas que nunca imaginaria que aprenderia de forma tão prática:

Ensinou que muitos desconhecidos acabam se unindo muito mais do que nossas próprias famílias.

Senti a frieza e engoli seco ao ser ignorada e silenciada pela ÚNICA vez que dirigi e desabafei um post dirigido a uma pessoa de minha família. A mesma pessoa que declara que a liberdade de expressão é necessária, simplesmente excluiu ignorou meu desabafo. Uma pessoa que considerava e admirava.

Descobri que dentro da classe artística, há também os artistas de "elite" que fazem arte para selecionados e apenas para prêmios. Infelizmente a arte elitizada não tem coragem de divulgar e dar cara a tapa com sua arte em locais precários, até porque a arte deles é muito refinada para ser expressa para pouco ego.

Entendi que a arte de verdade une intelectuais representantes de diversas minorias, e intelectuais as vezes não são os que tem grandes diplomas e sim, os humildes e os de bom coração.

Compreendi que as pessoas não choram apenas por política, e sim, pela maldade do coração alheio. Porque eu pela primeira vez solucei na frente de uma televisão ao ver tanta gente maldosa ao nosso redor.

Confesso que não entendi porque um parente encheu meu saco a infância inteira para não brincar de "jogos de luta no videogame" porque isso incita a violência e poderia incentivar meu primx a ver coisas violentas, sendo que os mesmxs votam em alguém que incentiva o porte de armas. Cresci jogando jogos de armas, e nem por isso sou a favor do uso delas na vida real até hoje

Entendi que por mais que a gente fale sobre amor e empatia, quem É RUIM e tem o coração de pedra, nunca entenderá. A não ser quando perder alguém que ama muito.

Compreendi também que muitos não respeitam a opção do outro, apenas toleram em silêncio. E quando isso é divulgado publicamente, aí sim que o silêncio predomina.

E com isso, entendi que o silêncio fere muito mais do que palavras. O silêncio tem uma posição e isso agride principalmente aquilo que amamos.

Com essa eleição entendi que quem ama, cuida, respeita, protege. Não apenas com palavras e fucking posts no facebook.

Dá a mão, abraça, pergunta se precisa de ajuda, liga, bate na porta, puxa pro colo, estende o braço, dá o ombro.

Infelizmente com essa eleição vi que já fizemos muito pelos outros, e quando mais precisamos, estes mesmos outros só lembram de nós na parte boa ou quando eles mesmos precisam.

Vi com meus olhos que família não se escolhe, mas amigos de verdade a gente escolhe sim. E que muitos deles não nos abandonam quando precisamos... e estes mesmos ombros aparecem onde menos esperamos, no trabalho, no teatro, no vizinho, no amigo de escola, no porteiro do prédio.

Essa eleição me ensinou a ser mais humana e percebi que ser sozinha, é uma batalha árdua e ao mesmo tempo é possível ser feliz consigo mesma mesmo no caos.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

"Deixe-me ir, preciso andar"

Liberta-me desse respiro ansioso, 
das inquietações desesperadoras do silêncio insistente.
Livra-me das inseguranças que amarram meus andares, 
os mesmos que entrelaçam as memórias das escadarias do peito.
Receba-me de mãos quentes e firmes, me segura e olha um pouco mais profundo e percebe-me como uma alma leve porém perdida neste momento.
Descalça-me no meio da rua, e deixa-me livre pra sentir as pedras até calejarem meus pés para que eu me sinta mais viva para prosseguir viagem.

Preciso sentir-me próxima daquilo que reverbera dentro de mim.
Os pedregulhos do peito enchem-me de incertezas sobre os trajetos que ainda não alcancei. Observo-me aflita diante o longo caminho, ao perceber que a inconstância das expressões da sua face me desestabilizam na segurança do seu sentir. 
Como um liquidificador velho, rebato entre as paredes de plástico pedras de gelo, que perigosamente se batem entre si até migalhar-se entre mínimos pedaços derretidos. E neste momento, sinto-me derretendo aos poucos diante da fragilidade das ações.

Sou da guerra perdida que anda no meio do campo ainda minado, da bexiga esquecida no céu que soltou-se de um pequeno descuido dos balões do parque.
Sou aquela que sentou-se na ponta das escadas esperando você voltar. A que sentou em cima da privada até esperar todos irem embora. 

Reconheço-me como a sonhadora de papel. A moça dos escritos perdidos e silenciosos. Dona das linhas nunca lidas e jamais interpretadas. Dos versos inéditos vindos do peito de uma necessidade de expressão.
A atriz envergonhada, que expressa-se em versos tortos e mal escritos. Sem revisões ou segundas leituras. Escrevo por sentir a liberdade entre os momentos da correria e de pura exaustão. 
Sou movida a linhas salvadoras de minha própria inquietude. E ao sentir-me perdida, me reencontro nas linhas como forma de explanar meus sentimentos. Assim posso verbalizá-los e entende-los.

Deixa-me ir.
Deixa-me aquietar.
Deixa-me ficar entre os cantos na quietude do respiro.

Deixa-me.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Hoje não comi bolo

Hoje foi um dia diferente. Foi quieto. Foi normal.
Hoje não compartilhei do seu sorriso. 
Não dividi nossas alegrias e nem fiz pacote de presente.
Não preparei surpresas. A dona da confeitaria não recebeu encomenda minha.
Meus pais me esperaram pra jantar e nem precisei dizer que voltaria tarde.
Minha cama me aguentou o dia todo e minhas cachorras agradeceram a companhia. 
Até deixel a Mel subir na minha cama.
Hoje economizei, não sai. Não gastei.
Não vi seus amigos e nem os meus.
Fiquei comendo chocolate, o mesmo que pensei em te dar.
Hoje não comi coxinha nem quibe.
Não comi também o seu bolo e não bati palmas.
Lembrei que esqueci de passar o número dos salgadinhos pro seu pai mais um ano. Desculpe. Juro que um dia eu anoto o número. 
Mas até lá já esqueci de novo.
Não sei como está sua avó, nem a cachorrinha.
Não sei mais por onde andam seus cachos. Se está mais comprido ou curto. 
Me pergunto se em sua mesa ainda tem a planta com nome de gente e se ainda tem os desenhos atrás da porta.
Queria saber se ainda tem aquela camisa azul com bolinhas laranja que tanto gostava. Ou se já jogou fora também. 
Se ainda come o mesmo burguer na rua e ainda pega chá no drive thru porque a embalagem é maior. 
Ouvi boatos que você está mais profissional. Fico feliz.
Torço por você em silêncio mesmo que de longe.
Sei que como eu torço, é da mesma forma que você compartilhou meu luto em silêncio ao sentir minha dor ao perder minha cachorrinha. 
Você se mostrou presente, eu sei. E eu gostei. Apesar... de tudo.
Feliz aniversário.

Sei que nunca lerá. Não tenho mais coragem de te enviar. Já são 4h e está tarde. Já passou da data. Mas tive que verbalizar.
Mas ainda sinto, e ainda lembro 00h00 quando pensei em te ligar.
Já eu, pretendo não comemorar mais aniversário algum meu. 

Hoje foi meu ato de rebeldia, foi como me senti aquele dia.
Sozinha sem te ver. No dia em que eu comemorei nascer.

Hoje foi um dia difícil mas ainda assim, desejo parabéns a você.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

10/06/2018

Cheguei a um ponto da minha vida em que mais nada me contenta. 
Meu otimismo sempre foi o meu forte, principalmente as expectativas que a partir dele criava todos os dias.
Sempre acordava buscando o melhor em cada coisa. Esperando o melhor dos outros e coisas a partir de minhas escolhas.
Depois de anos me jogando em cabeça em pequenas desculpas para ser feliz, percebi do porquê os moldes da sociedade ficam tão claros após certa idade.
Compreendi intensamente do porquê das pessoas se engessarem de tal modo que não conseguem rir de pequenos erros. Tudo vira escândalo, tudo vira bola de neve.
Tudo vira decepção. 
Real isso.
Somos acostumados a buscar o melhor de nós sempre, e esperamos que o mundo faça o mesmo consigo e com eles mesmos. Mas nem sempre as pessoas estão na mesma sintonia ou se importam na mesma medida.
Ultimamente estou aceitando aquela grande ideia de se chutar o balde para longe e apenas sentar no asfalto esperando anoitecer para poder pegar meu balde de novo e levar pra casa para dormir.
Infelizmente as pessoas nos frustram de tal modo, que deixamos de nos reconhecer por um bom tempo.
Estou nessa fase, infelizmente. 
Buscando o reconhecimento de mim mesma para a tal da mudança. Onde é que me perdi? 
Meus sonhos sempre foram bem alinhados, totalmente executados, apenas com algumas mudanças óbvias. Mas ultimamente estou me afogando em dúvidas e cheiros, em corpos e anseios.
E cada dia que passa, vejo que ficar sozinha e em silêncio perante a esse tornado doente é a melhor opção.
Estamos enfrentando tanta merda política nessa país, que percebe-se que as pessoas estão perdidas.
Não se sabe se amanhã terá emprego, se a empresa vai fechar, se a gasolina vai acabar, se a comida faltará. Esse ano o Brasil resolveu parar e isso deixou as pessoas fora de órbita.
Não era para ser um texto político, nem é meu intuito chegar a algum lugar. 
Apenas utilizo da escrita como uma forma de escape.

Ultimamente nem sei mais o que está sendo meu escape. A não ser buscar uma nova versão de mim mesma. 
Queria realmente voltar a tomar gosto pelas linhas, pelas prosas e longas conversas. Mas a vida não dá esse tempo. É tudo pra ontem, é tudo envolvendo dinheiro e trocas.

Saí de um relacionamento mais insegura do que entrei. Não me reconheço mais. Aliás, minto. Saí mais segura do que sou, mas já não sei mais o que quero a partir de mim mesma. 
Talvez essa seja a própria resposta. Reconhecer-me a partir de meu próprio silêncio e perceber que não há respostas nem conclusões para tudo.
Mas confesso que está difícil. Ando crítica demais, seletiva demais. Mas ao mesmo tempo pretendo inovar. Sentir outros cheiros, gostos, experiências.

Sinto falta de vida.

Acho que cheguei ao ponto em que meu trabalho e estudo me consumiram a tal ponto, que esqueci de observar ao meu redor, o que realmente me faz falta.

Vida que segue. Os meses me dirão

versos tolos

Se pudesse escrever em linhas pouco do que já senti ao seu lado, eu ainda mentiria por falta de justificar tamanho impacto. 
A falta de ar que me persegue ao te ver, persiste como uma rajada de vento que me faz engolir minhas próprias vergonhas e me faz suspirar com os teus olhos amendoados que insisti em dizer que eram verdes ao encará-los.
Te persisto, te admiro, me viro do avesso e remarco compromisso. Arranjo desculpas, troco de horário, troco de roupa, me descubro por inteiro, só pra te ver no meio desse meu avesso. No meio dessa loucura da vida, achei espaço onde não havia nem começo. Lhe procurei a primeira vez naqueles desencontros de ruas, logo me vi tomando quentão na correria de horários dessa aventura. 
Já te olhava de canto com um certo suspiro, pensava se algum dia pudesse encontrar meu olhar mesmo que de cantinho. Se notaria que a sua presença já balançava o meu pequeno mundinho.
Me ouvi cantarolar contigo músicas que mal sei a letra, a falar besteira enquanto andava me fazendo de besta. Levei amigos pra beber comigo, só pra te ver mais um pouquinho, mesmo que de longe sem nem um intervalinho, suspirava mesmo que de longe por te ver ainda assim de pertinho.
Me redescobri por inteiro, e percebi que perto de ti meu riso fica melhor e verdadeiro.
Tua presença me acelera o peito, de tal forma que me enche de esperança, ouvir ao menos a sua lembrança de alguma piada que em algum momento só eu ri.
Você me faz esquecer do trajeto, meu rumo, que nem ao certo sei pra onde ir.
Parece loucura da minha cabeça, pensar que sentimento tão grande que parece besta, de criança pura que sente quando segura a mão do menino pela primeira vez.
Teu abraço se encaixa enquanto eu fecho os olhos, sinto segurança no respiro enquanto você dorme, nunca havia sentido tal sintonia diante do que me foi vivido até aqui. 
Um descanso que me arrastou no canto, e acordei com seus braços em volta de mim. Me senti tão sua que me esqueci por um momento do que já vivi.
É nessa insegurança sem fim, de saber nem ao certo o que quer de mim, que choraminguei nos teus braços enquanto aquele dia me consolava tomando gin.
Boba que sou voltei a escrever, me senti incentivada por algo que nem pude reconhecer, mas sabia que dentro de mim estava algo a acontecer.
Sentei-me agoniada por não poder compreender mais nada, desse aperto no peito cada vez que ficava longe de ti.
Me vejo cada vez mais boba, em querer te ter por perto, mesmo que de nada tenhamos ao certo, mas só sei que verdadeiramente gosto de ti. 
Torço pela sua felicidade, muito mais do que boa parte dessa cidade, que você conquiste esse mundo com essa sua seriedade e molecagem que tanto me encanta.
Te admiro em cada ponto e me sinto bem em qualquer canto. Desde que você esteja feliz também. 


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

persisto.

Insisto.
Como num tiro no escuro, há o som na imensidão. Porém não sou capaz de ver a força do impacto sobre a outra vida.
Insisto.
Respiro fundo, me escondo, choro nos escombros empoeirados das paredes quebradas, e tento me reerguer sob a mureta.
Insisto novamente.
Toco a campainha do peito, procuro sem saber exatamente o nome daquele sentimento, revisto um manto pedindo paz e abaixo a arma que me tirou o fôlego de tantos anos.
Resisto.
Tiro a máscara e dou tapa a cara na rua, lavo meus olhos com o suor de meu trabalho, descanso um pouco sob a sombra das árvores de grossos troncos. Deixo amontoar minhas dúvidas e me aquieto com minhas confissões.
Persisto. 
Recomeço de onde parei, volto quadras atrás onde larguei minhas coisas, refaço o longo caminho que percorri e busco um atalho para seguir. Tento eliminar as coisas óbvias do caminho e passo a dedicar o meu olhar sobre aqueles brotos novos que surgiram no jardim.
Implico.
Sofro de saudade do ar que antes era mais limpo, talvez não tão limpo, mas sim uma pureza ingênua de pura ignorância. Sempre foi complicado, sempre sentimos dores ao andar sob as pedras. Mas chega um momento que nossos pés engrossarão de tal modo que não sentiremos mais os cacos do que restou ao chão. Peço gentilmente que me escute, meu coração é nada mais do que um pedaço de lembranças solitárias, uma empatia carinhosa com aqueles que bem quero, mas ao mesmo tempo um montante de traumas não resolvidos.
Desisto.
As vezes me jogo no travesseiro com a esperança de dias melhores, arrisco com palavras soltas de velhas lembranças, me viro na cama, penso num mundo inteiro de possibilidades e acordo por volta das 16h, com a vontade de dormir mais cedo no próximo dia. Tem dias que desisto de mim mesma. 
Arrisco.
Tento ser otimista, no pior dos momentos. Quero arriscar novos caminhos longe do caminho já percorrido. Insisto, persisto, implico, arrisco. E só realmente desisto quando algo muito maior está por vir.
Mas sei que só desistirei quando a morte chamar, caso contrário continuo insistindo e arriscando.
Volto para o campo de batalha com mais munição, mais feridas, mais curativos e sangue espalhado no rosto. Limpo minha cara com o suor e dedico o meu sorriso dos ausentes para as pequenas vitórias de cada batalha.
Persisto. 

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Pronto, disse.

Voltei. Voltei porque senti necessidade da escrita. Digo até mais, senti uma urgência na mesma. Me vejo perdidas em palavras não ditas, não digitadas, apenas sentidas.
Por onde andaram? Por onde se esconderam? Não achei a forma certa talvez de ser lida. Muito menos de verbalizar tudo o que minha pele e peito sentia.
Este ano foi movimentado, experimentei do leve ao mais ousado. Sinto que estou mudada mas ainda assim, continuo deveras atrapalhada. Sinto que estou madura o suficiente para enfrentar meus medos de frente, mas nas últimas semanas, me senti criança novamente. Voltei a ler os meus escritos. Meus bons e velhos curativos.
Vi que já fui mais forte do que sou. Já fui mais sensível, mais convincente, mais delicada com a vida. Sim, a vida me deixou dura. Uma casca grossa porém colorida. Sinto saudade daquela criatividade pulsante em vida.
Sinto minha essência, mas por dentro ainda sou mole, de modo que sinto medo que quebrem minha casca para que possam me dissolver no solo. Mole no sentido frágil, no sentido não mais fértil. Igual quando se molha demais uma planta que se gosta por medo que se seque. Mas tem vezes que sinto que sequei até demais. E fico mole. Morta.
Hoje, já lidando com certas coisas difíceis apesar do choro contido, sinto que essa turbulência passou como um vento forte em meu rosto e recordo apenas dos meus cabelos que ficaram bagunçados por ele. E dou um sorriso aliviada.
É difícil, confesso. É uma luta diária. Brigamos para sermos ouvidos, para aprendermos algo do zero e correr atrás de nossos objetivos sem julgamentos.
Mas infelizmente a sociedade nos impõe. Impõe coisas inventadas, distorcidas, mal acabadas e sem respostas. Nos cobram explicações nunca dadas, organização nunca feita e experiência nunca exercida.
Chega uma hora em que a cabeça explode em meio a neblina, o som turbulento da mente entra numa guerra sem fim. Mas com um certo afastamento, conseguimos perceber certas coisas. Principalmente nossa fragilidade perante a vida e as pessoas que continuam vivas.
Tenho mais medo dos vivos do que os mortos.
Tenho mais medo daqueles vivos que nos fazem crer que precisamos estar mortos.
Não me entenda mal, digo sobre morte no sentido do prazer perante a vida, daquele tesão que nos leva pra frente. Mas confesso que as vezes a morte vem no sentido literal para aqueles que nos odeiam por algum motivo.
Isso é visto no ambiente acadêmico, profissional. Relações de competições até mesmo entre amigos. 
É tanta guerra sem motivo. É tanta competição sem resultado divulgado. Que nos perdemos diante a esse mundo maldito de falsas ilusões e competições.
Os vivos me assustam. O ser humano é capaz de ser muito ruim quando quer. 
E é. E consegue. Consegue mais do que ele possa imaginar, levando traumas e deficiências emotivas para uma vida inteira. Já tenho 23 anos e muitas coisas só agora consigo comentar sem deixar cair uma lágrima de dor. Já estou ficando velha, mas a vida ainda é nova numa perspectiva de intensidade em que vivemos tudo.
Estar vivo, é viver com medo de que outro ser humano lhe tire a essência de vida.
E sei que sou intensa, luto por isso e continuarei sendo intensa.
Intensa no amar, no chorar, no fugir, no conquistar.
Sou intensa no que quero e também naquilo que não quero.
Fujo e corro quando sinto o perigo, mas também sou atenta a qualquer sinal de bom abrigo.

Graças aos meus escritos, me sinto mais forte para continuar.
Até logo. 

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Aquela vida que não volta

Quando a saudade vem a tona, percebo o quanto amadureci longe de você.
A cada pedaço em que completo durante meu caminho, relembro do gosto de nossos pequenos sorrisos esperançosos em busca da realização da vida adulta.
Lembro-me que iríamos casar - você dizia.

A vida deu várias voltas e mesmo assim nunca mais nos encontramos.
Na verdade... minto. Houve apenas uma única vez. 
Nos olhamos rápido. Estávamos segurando a mão de nossos novos amores e companheiros de vida em uma noite escura perto de um bar.
Trocamos olhares de forma rápida e ao mesmo tempo reforçando a ideia a nós mesmos que foi um deslize de nossos olhos, focando de forma ingênua ao movimento dado no escuro.
Crescemos e envelhecemos, foi apenas o que vimos. Estávamos agora diferentes. Mas com certeza com os olhos cheios de saudade.
Me pergunto, em que parte da vida nossos jovens corações ficaram? 
Acredito que temos experiências em várias vidas enquanto estamos vivos. Vidas que não voltam, mas também que nunca serão esquecidas.

Creio que você não lê os meus escritos.
Muito menos eu os escrevo mais.
Apenas nos rascunhos eu os escrevo. Na esperança de algum dia publicar de forma escrita e lhe enviar por correspondência.
Mas infelizmente esqueci o seu endereço.

Da mesma forma em que a vida esqueceu de nos lembrar quantos momentos bons vivemos juntos.

Ainda busco desculpas idiotas para te procurar... 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O silêncio dos amantes



A pior dor é o silêncio da indiferença.

É o sentido contrário do beijo.

O cortante desvio do carinho.

É o abraço afastado do peito querido.


O pior silêncio, é aquele que te entrega nos olhos,

é o corpo que se desconhece de propósito,

finge não te ver quando no fundo sabe do seu querer.


O pior de todos é o afastamento provisório,

da vergonha do sentimento,

do beijo indefeso,

que sumiu no meio de mil lamentos.


Sinto muito lhe dizer,

mas não vivo mais de tropeços

quero arriscar em meio ao meu silêncio,

uma nova forma de amar junto ao contexto.


Que a indiferença de suas palavras,

façam florescer em meu peito a coragem necessária,

para finalmente reabrir o recomeço.


Que o meu erro seja menor de que nossos sorrisos,

que nosso abraço transmita mais do que um simples carinho,

que a nossa confiança crie mais caminhos do que desvios.

Caso contrário, lembrarei-me de tudo como força do destino.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Pesos que viram linhas

Se o tempo coubesse dentro do tempo de meus breves olhares, creio que seriam postos como quase 60 segundos a mais do que o tempo de fato visto.
Se a cegueira me fosse capaz de selecionar apenas os melhores ao meu redor, talvez eu esteja na mesma. Ou até mesmo melhor do que sempre fui ao escolher com olhos bem abertos e puros com a vida, sem alterações.

Há tempos em que amadurecemos e entendemos nosso real propósito. Propósito de vida ao se relacionar com os outros e com nós mesmos.
Descobri que sou mais teimosa do que achava, mas ao mesmo tempo mais corajosa também.
Abri as portas para um futuro incerto e por conta disso, estou segurando uma responsabilidade maior do que achava que poderia segurar. Tudo ao mesmo tempo.
Certas vezes penso como não enlouqueci na minha própria sanidade. Ou talvez o que eu deva chamar de sanidade, é minha própria loucura.

Só sei que o limite está prestes a chegar... e ao chegar até ele, sei que mudarei mais uma vez de fase.
Já me sinto muito mais madura do que quando tinha certeza sobre mim mesma... hoje em dia? Não sei mais, certezas são as únicas coisas que não levo comigo. Desconstruo minhas certezas a cada discurso com cabeça aberta pronta para atualizar minha nova "verdade". Se é que a verdade de fato existe, ou todos nós construímos uma verdade dentro de apenas uma grande mentira?
Estou me redescobrindo aos poucos, me reapresentando sempre.
A essência... percebo que permanece constante, mas o amadurecimento me fez uma mulher atrapalhada porém sensata em minhas próprias escolhas. Hoje, dificilmente vou atrás depois de ter tomado alguma decisão. Posso me atrapalhar durante a escolha e o prazo de resposta, mas quando fere meu coração e me trata de forma injusta... não há sentimento nesse mundo que me faça mudar.

Quero me aprofundar na minha loucura daqui pra frente, estudar o máximo do impossível do possível do meu limite. Testar minhas habilidades até saber onde e como posso aperfeiçoá-las a chegar ao ponto de me amadurecer mais para a próxima fase de vida.
Quero devorar os livros quem possam servir mais do que a base de meu interesse, me investigar a cada frame e descobrir-me liberta em minha própria criatividade.

Brinco com minhas próprias metas e objetivos. Troco horários, dou desculpas, escondo meus próprios segredos e me amo secretamente. Sim, tenho segredos... daqueles dos quais pesquiso sempre sobre mas nunca comento com ninguém a respeito. Pois não interessa ao outro, somente a mim. O meu crescimento pessoal, profissional, espiritual ou o que for, só diz respeito a mim mesma e mais ninguém. Demorei muito para compreender isso em vida. Quem dera eu entender essa realidade em minha adolescência, talvez tivesse sofrido menos.
A cada segredo mantido em mim mesma, mais me conheço e me amo delicadamente, entrelinhas.

Atualmente estou em conflito, mas não de forma a regredir. Estou em conflito comigo mesma porque estou avançando alguns pontos de forma tão rápidas que mal sei lidar. Juro, não sei lidar.
Foi como disse... as linhas do amadurecimento estão me trazendo pesos que até então eu não sabia como segurar e estou me forçando a aprender.
Estou tentando segurar todos os pesos possível para que possa me manter viva de forma segura.
E para isso, vou observando o modo como o outros carregam seus próprios pesos, e assim, vou aprendendo com eles uma forma de segurá-los com segurança sem me machucar, e sem machucar os outros ao derrubar alguns destes pesos.
Estou aprendendo a lidar com isso e me acostumar com o peso de acordo com o caminho percorrido.
Pois isso varia do caminho, do terreno, das companhias ao meu redor, do jeito em que olho o meu redor, do meu humor, minha felicidade.

Meus pesos só param de pesar, quando entendo que eles são experiências de vida que podem agregar meu corpo. Só assim, deixam de ser pesos, e viram linhas de amadurecimento em meu corpo.

Cresço.


quarta-feira, 6 de julho de 2016

Meu bem

Beija-me com sua alma junto aos seus doces traços de vida.
Quero sentir a sua pele aquecendo minha confiança entre seus mais longos abraços, enquanto deitada fico com você em um silêncio completo de amor. 
Das histórias antes contadas, você é a que retrata a melhor parte de minha vida. Dos pequenos aos grandes passos foi questionável o ponto misterioso de nosso pequeno-grande envolvimento ao longo dos anos.
Quero ser sua na mais inesperada madrugada de uma segunda-feira, ou na mais fria manhã de uma sexta-feira. 
Que a paixão que corre meu corpo até sua boca, transpasse qualquer insegurança de nossos próprios medos. 
Seu aconchego me dá a ternura necessária para viver em um abraço, de modo que me faz entender o significado de criar um laço e não um nó com alguém.
Somos livres dentro de nosso próprio beijo, na esperança de uma entrega verdadeira e espontânea de nossa parte.
Seu cheiro, hoje já impregnado em minha pele, me faz ter a certeza de que podemos transformar uma segunda-feira em um novo começo.
O amor presente em nosso silêncio e a confiança dentro de nosso olhar, é mais do que suficiente para ter a certeza de que te amo e te quero bem! 


segunda-feira, 13 de junho de 2016

"Olha só moreno do cabelo enroladinho..."

Seu cheiro me abraça a alma e me aquece o peito. Neste momento somem os medos e as inseguranças entre seus braços inteiros. 
A tua calma me fortalece e me estabelece no plano concreto e real. Seus passos andam me guiando para algo tão orgânico e natural, que me custa acreditar na veracidade dos fatos, mas nunca do sentimento. 
Não que a credibilidade não fosse aceitável, mas da realidade exposta aos nossos olhos e mãos. Uma realidade bonita e sincera... E quanto as mãos... a minha do lado da sua, revezando carinhos de dedos. 
Ouvi dizer que só quando se ama de verdade é que os casais fazem carinho de dedo, caso contrário, é só paixão. Pois não há detalhe tão sincero que um dedo preso ao outro no encontro das mãos, naquele silêncio, em uma espera, ou por distração estar mesmo assim atento ao sentimento.
Meu corpo quis se unir ao seu de uma forma tão segura e sincera, que dispus a me reinventar de tal forma que me conheci melhor ao seu lado.
Pela primeira vez descobri que meus defeitos são meras distrações da vida, que muitos podem ser corrigidos e aceitos. 
Nós amamos silenciosamente cada detalhe um do outro. E são nesses detalhes que nos tornamos tão unidos e íntimos da vida de cada um.
A sua tranquilidade me faz sorrir em meio ao caos. Me solidifico e ao mesmo tempo evaporo nas horas ao seu lado.
Há anos achava que eu estava pulando de histórias em histórias... para no fim, cinco anos depois descobrir que de todas essas histórias, eram apenas capítulos que pertenciam a nossa própria história. Todos os personagens, enredos, aventuras... nos amadureceram e nos transformaram para chegar onde estamos. E conseguimos acompanhar cada passo um do outro, mesmo tão longe... 
Demorei cinco anos para realmente me jogar na segurança de que nosso carinho era mais forte que tudo, incomparável com qualquer relação antes vista ou sentida. Que nossa conexão era bem mais forte do que qualquer amizade. 
Nossa conexão ultrapassa limites de tempo e/ou distância.
Fazem cinco anos que te vi naquela sala, com aquela bola de "limpa-tipos" enorme na mesa e seus cachinhos lindos que dava vontade de fazer cafuné. 
Foi naquela sala, que fiquei te olhando, sem nem ao menos saber seu nome, sua idade e toda sua história...
Um amor a primeira vista, real, sem novela, sem enrolação, sem falsos detalhes. Quis você naquele momento. Assim como cinco anos depois do nosso finalmente encontro, pude ter a certeza que queria você em minha vida.
Nunca acreditei em destino. Só em acidentes rotineiros. 
Ter escolhido Design de Produto e não ter passado na UFPR de primeira, foi o pior sentimento que senti na minha vida... mas sem este acidente, nunca iria descobrir o quanto maravilhosa era o seu amor.  
Se nessa história de cinco anos ainda não se pode escrever um romance... estou ansiosa para o que ainda poderá ser escrito ao seu lado! 

My baby.


sexta-feira, 13 de maio de 2016

Dois sonhos, uma vitória.

Ultimamente a vida não anda me dando espaço para sentar e olhar o espaço. 
Ando deslizando e ignorando os buracos em que venho causado em minha vida, na esperança de que eles se preencham sozinhos. E sei que isso nunca irá acontecer se não partir de mim mesma.
Eu erro, erro muito. Erro a chegar ao ponto de engolir minhas próprias dores para fingir a mim mesma que está tudo bem, que sempre ficará tudo bem.
O que eu escrevo serve de rascunho pra minha própria vida. Escrevo tudo o que desabo diariamente, na esperança de aprender com minha própria verbalização.
Juro, eu realmente não sei verbalizar as coisas... Mas as vezes desce como uma luva e me compõe a imagem de escritora de algo sem fundamento. 
Não sei escrever, só sei sentir. Isso que verbalizo são pequenas alucinações de um constante acúmulo de emoções que reverberam dentro de mim... E que por algum motivo se fixam e eternizam em textos que costumo não publicar.
Não me pergunte como estou. Não vou dizer, não responderei e meu sorriso será constante. 
Sou várias e ao mesmo tempo sou uma só. Mas ultimamente tenho me visto apenas como duas. Esta que aqui fala, e a outra que batalha pela vida todos os dias. 
O que está aqui, é o que quase não se manifesta em vida. Não sei mais qual ponto exagerei... Mas sei que algo está estranho o suficiente para não estar equilibrado. Cada vez que volto a escrever, algo mudou. E só consigo identificar se a mudança foi boa apenas em um olhar distante.
Talvez isso se chame saudade, cansaço, medo, ou até mesmo indiferença...
Mas sei que o pulso desarma e a cama me absorve pra dentro dela a cada pulo no fim do dia.
Não posso reclamar de meus sonhos, eles andam ótimos e bem realizados. Mas me incomoda esse certo vazio que lateja de vez em quando. No fundo eu sei o que é, mas sou teimosa o suficiente pra aceitar e rever minha vida. Não dou o braço a torcer facilmente. Simplesmente deixo estar... E se assim resolvo ficar, um dia se ajeita. 
Mas sei que pelo menos um dos campos da vida dará certo, e uma parte de mim se realizará, a outra... Será consequência das próprias escolhas do tempo. 


segunda-feira, 2 de maio de 2016

A verbalização da nova significação

Não digo que me silenciei. Digo que foram dois meses intensos demais para serem verbalizados. Presenciei e senti mais do que expressei. 
Minha vida passou por um processo de reintegração de diferentes formas, porém do modo mais natural e orgânico possível. Me reinventei em minha própria rotina e causei-me estranhamento a partir disso.
Larguei o emprego, pintei paredes, aprendi a aceitar mais minhas próprias vontades e esquematizar melhor meus planos. Aprendi a administrar meu próprio dinheiro, a nomear sentimentos e persistir rudemente em meus objetivos.
E dessa intensa reformulação, sobrou um grande pedaço de arte. Um pedaço que há tendência de ser lapidado por muitos anos, um pedaço que mostrou-me movimento e força de vontade, energia e amor pela minha própria vida.
Nesses dois últimos meses me reconheci mulher, reconheci-me criadora de um espaço só meu.
Renasci para decupar meus próprios sonhos, invadir minha segurança para explodir minha liberdade todos os dias.
Renasci na minha própria tentativa de liberdade, em meu próprio objeto de estudo, em meu ponto de partida.
Me reescrevi entre versos, para entender-me como arte. Um nova linguagem artística que a partir de hoje reinventa meus passos e meus objetivos.
Silenciei o que antes me matava, para que agora possa verbalizar o que me vive.